Anabolizantes podem causar hipertrofia cardíaca e risco silencioso 

Coração pode crescer de forma perigosa com anabolizantes. (Foto: Getty Images via Canva)
Coração pode crescer de forma perigosa com anabolizantes. (Foto: Getty Images via Canva)

O uso de anabolizantes para ganho de massa muscular se tornou cada vez mais comum entre jovens e praticantes de musculação. No entanto, por trás da promessa de evolução rápida no físico, existe um impacto silencioso e potencialmente grave sobre o coração.

O caso do fisiculturista e influenciador Gabriel Ganley, que apresentava histórico de uso dessas substâncias, trouxe novamente à tona um alerta importante da medicina: o uso indiscriminado de hormônios pode estar ligado ao desenvolvimento de hipertrofia cardíaca e complicações graves.

O coração também cresce, mas nem sempre de forma saudável

O coração é um músculo e, assim como outros músculos do corpo, pode sofrer aumento de tamanho.

O problema ocorre quando esse crescimento acontece de forma excessiva e desorganizada, condição conhecida como hipertrofia cardíaca patológica.

Esse processo pode levar a:

  • rigidez do músculo cardíaco
  • dificuldade de relaxamento do coração
  • redução da eficiência no bombeamento de sangue
  • maior risco de arritmias perigosas

Com o tempo, essas alterações podem evoluir para quadros mais graves, incluindo insuficiência cardíaca.

O papel dos anabolizantes nesse processo

Os esteroides anabolizantes são substâncias sintéticas relacionadas à testosterona, usadas em alguns contextos médicos, mas frequentemente consumidas sem acompanhamento profissional para fins estéticos.

Quando utilizados em doses elevadas e de forma contínua, podem provocar alterações sistêmicas importantes.

Entre os efeitos associados estão:

  • aumento da pressão arterial
  • crescimento anormal do músculo cardíaco
  • maior rigidez das paredes do coração
  • risco aumentado de eventos cardiovasculares agudos

Isso ocorre porque o coração também responde aos estímulos hormonais, assim como os músculos esqueléticos.

Risco silencioso

Um dos maiores perigos está no fato de que essas alterações podem evoluir de forma assintomática por longos períodos.

Em muitos casos, o indivíduo não percebe sinais iniciais, o que atrasa o diagnóstico.

Quando surgem, os sintomas podem incluir:

  • falta de ar ao esforço
  • dor no peito
  • tontura
  • palpitações
  • desmaios

Esses sinais, no entanto, muitas vezes são ignorados ou confundidos com fadiga do treino.

Fator genético pode aumentar o risco

Além do uso de substâncias, a medicina aponta que algumas pessoas podem ter predisposição genética para cardiomiopatias, como a cardiomiopatia hipertrófica.

Essa condição afeta aproximadamente 1 em cada 500 pessoas e pode permanecer silenciosa por anos.

Em indivíduos com essa predisposição, o uso de anabolizantes pode atuar como um fator agravante, acelerando alterações no músculo cardíaco.

Como identificar riscos precocemente

A prevenção depende de avaliação médica adequada, principalmente em pessoas que praticam atividades de alta intensidade.

Exames importantes incluem:

  • eletrocardiograma
  • ecocardiograma
  • avaliação clínica cardiológica completa

Esses exames podem identificar alterações estruturais antes do surgimento de complicações graves.

O impacto do uso sem acompanhamento

O uso de anabolizantes sem orientação médica ainda é frequente, mesmo sendo proibido para fins estéticos no Brasil.

A medicina observa um aumento de casos de:

  • disfunção cardíaca em jovens
  • necessidade de tratamento avançado em idade precoce
  • casos graves que podem evoluir para transplante cardíaco

Além do coração, essas substâncias também podem causar alterações hormonais e metabólicas importantes.

Portanto, o uso de anabolizantes pode desencadear ou acelerar processos de hipertrofia cardíaca, especialmente quando associado à predisposição genética ou uso prolongado.

O caso de Gabriel Ganley destaca a importância da conscientização sobre os riscos cardiovasculares dessas substâncias.

Mais do que estética, o ponto central envolve saúde e prevenção. O monitoramento com profissionais de saúde e a realização periódica de exames cardíacos são essenciais para identificar e prevenir riscos que podem evoluir de forma silenciosa.

Rafaela Lucena é farmacêutica (CRF-RJ:13912) graduada pela UNIG. Une sua formação em saúde à paixão pela divulgação científica para traduzir estudos clínicos e farmacológicos para o cotidiano. Como responsável técnica pelo Fala Ciência, dedica-se a combater a desinformação com rigor técnico e embasamento científico de qualidade. Ver perfil no LinkedIn