Sol libera duas erupções gigantes e causa apagões de rádio na Terra

Duas erupções solares gigantes causaram apagões de rádio em poucas horas (Imagem: NOAA GOES-19)
Duas erupções solares gigantes causaram apagões de rádio em poucas horas (Imagem: NOAA GOES-19)

O Sol voltou a mostrar sua força com duas poderosas erupções solares de classe X, registradas em um intervalo de apenas sete horas. O fenômeno chamou atenção de cientistas porque causou interrupções temporárias nos sinais de rádio em diferentes regiões do planeta e reacendeu o alerta para possíveis impactos geomagnéticos.

As explosões partiram da região ativa chamada AR4419, uma área de manchas solares localizada na borda oeste do Sol. Esse tipo de evento é considerado um dos mais intensos da atividade solar e pode afetar diretamente sistemas de comunicação e até operações espaciais.

Além disso, essas foram as erupções mais fortes observadas nas últimas semanas, mostrando que o atual ciclo solar continua bastante ativo.

O que aconteceu e onde os impactos foram sentidos?

A primeira explosão atingiu seu pico durante a noite de 23 de abril, enquanto a segunda ocorreu na madrugada de 24 de abril. Ambas foram classificadas como eventos de alta intensidade e provocaram apagões de rádio de alta frequência no lado iluminado da Terra. As regiões mais afetadas foram:

  • Áreas do Oceano Pacífico
  • Austrália;
  • Partes do Leste Asiático.

Essas falhas ocorreram porque a radiação liberada pelas erupções alterou temporariamente a ionosfera, camada superior da atmosfera responsável por refletir sinais de rádio.

Por isso, transmissões de ondas curtas ficaram enfraquecidas ou até completamente interrompidas por alguns momentos.

O que são erupções solares de classe X?

Sol libera explosões intensas e afeta sinais de comunicação na Terra (Imagem: Centro de Previsão do Clima Espacial da NOAA)
Sol libera explosões intensas e afeta sinais de comunicação na Terra (Imagem: Centro de Previsão do Clima Espacial da NOAA)

As erupções solares são explosões gigantescas que acontecem na superfície do Sol e liberam enormes quantidades de energia em forma de radiação eletromagnética, incluindo raios X e luz ultravioleta. Esses eventos são classificados em cinco categorias:

  • A;
  • B;
  • C;
  • M;
  • X.

A classe X representa o nível mais extremo, com potência muito superior às demais. Quanto maior o número associado, mais intensa é a explosão.

Essas erupções geralmente surgem em regiões com forte atividade magnética, como manchas solares instáveis.

Por que elas derrubam sinais de rádio?

Quando a radiação solar chega rapidamente à Terra, ela atinge a ionosfera, alterando sua composição elétrica.

Normalmente, as ondas de rádio de alta frequência conseguem viajar longas distâncias refletindo nessa camada atmosférica. No entanto, durante uma forte erupção solar, ocorre uma ionização excessiva nas camadas inferiores.

Isso faz com que os sinais encontrem mais partículas carregadas no caminho, perdendo força ou sendo completamente absorvidos. Como consequência, podem surgir:

  • Falhas em comunicações aeronáuticas;
  • Interrupções em transmissões marítimas;
  • Instabilidade em sistemas de navegação;
  • Dificuldades em rádio de ondas curtas.

Existe risco de tempestade geomagnética?

Além das erupções, os cientistas também observaram possíveis ejeções de massa coronal (EMC), grandes nuvens de plasma e campo magnético lançadas pelo Sol.

Como a região ativa estava próxima da borda solar, a chance de impacto direto na Terra é menor. Mesmo assim, um efeito lateral ainda pode ocorrer.

Se isso acontecer, pode haver tempestades geomagnéticas, que aumentam a possibilidade de auroras intensas e, em casos mais fortes, interferências em satélites e redes elétricas.

A boa notícia é que os especialistas continuam monitorando a trajetória dessas emissões, enquanto o Sol segue em uma de suas fases mais agitadas do ciclo atual.

Leandro C. Sinis é biólogo formado pela UFRJ e divulgador científico. Com experiência em pesquisa acadêmica, é coautor de um estudo sobre neuroproteção publicado no Journal of Biological Chemistry (DOI: 10.1074/jbc.m117.807180). Sua missão no Fala Ciência é traduzir descobertas complexas em conhecimento acessível e seguro para todos. Ver perfil no LinkedIn | Ver Currículo Lattes