Cientistas descobriram que as erupções estelares de estrelas pequenas e frias podem ampliar as regiões onde a vida teria chance de surgir, especialmente em planetas rochosos semelhantes à Terra. Tradicionalmente, os estudos de habitabilidade se concentram na chamada zona habitável, região ao redor de uma estrela onde a temperatura permite a existência de água líquida.
No entanto, uma nova pesquisa mostra que outro fator pode ser igualmente importante: a presença adequada de radiação ultravioleta (UV), essencial para processos químicos ligados à origem da vida.
O estudo foi publicado na revista científica The Innovation e analisou estrelas dos tipos K e M, menores e mais frias que o Sol, mas extremamente abundantes na Via Láctea. Entre os principais fatores avaliados pelos pesquisadores estão:
- Presença de água líquida na superfície;
- Intensidade da radiação ultravioleta;
- Frequência de erupções estelares;
- Possibilidade de formação de precursores de RNA;
- Sobreposição entre diferentes zonas habitáveis.
Esses elementos ajudam a determinar se um planeta realmente possui condições favoráveis para a vida.
A importância da luz ultravioleta para o surgimento da vida
Embora o excesso de radiação UV possa ser perigoso, uma quantidade equilibrada pode ser fundamental para desencadear reações químicas primitivas. Entre elas está a formação de moléculas precursoras do RNA, considerado um dos componentes mais importantes para o início da vida biológica.
Por isso, os cientistas passaram a observar não apenas a zona habitável tradicional, chamada de zona habitável de água líquida, mas também a chamada zona habitável ultravioleta.
O grande objetivo era descobrir se essas duas regiões poderiam se sobrepor.
Três exoplanetas se destacaram na análise
A equipe aplicou modelos matemáticos em nove exoplanetas que orbitam estrelas de baixa massa. Esses mundos estão localizados ao redor de estrelas dos tipos K e M e, em sua maioria, são planetas rochosos.

O resultado mostrou que apenas três deles estavam posicionados na região ideal onde há simultaneamente água líquida potencial e radiação UV suficiente para favorecer processos biológicos. Os exoplanetas que mais chamaram atenção foram:
- KOI-8012.01;
- KOI-8047.01;
- KOI-7703.01.
Esses mundos agora se tornam candidatos ainda mais promissores na busca por sinais de vida fora do Sistema Solar.
Por que estrelas pequenas são tão importantes?
As estrelas do tipo M, por exemplo, representam cerca de 70% das estrelas da Via Láctea. Além disso, vivem muito mais que o Sol, podendo existir por bilhões ou até trilhões de anos.
Esse tempo extra aumenta significativamente as chances de processos biológicos complexos se desenvolverem em seus planetas.
Um exemplo famoso é o sistema TRAPPIST-1, que abriga sete planetas rochosos, sendo três deles localizados na zona habitável.
Mesmo assim, fatores como intensa atividade estelar e rotação sincronizada ainda levantam dúvidas sobre sua real habitabilidade.
A nova pesquisa mostra que entender a vida fora da Terra exige olhar além da temperatura. Às vezes, pequenas explosões em estrelas distantes podem ser exatamente o ingrediente que faltava.

