Forma de ingerir maçã impacta diretamente a saúde do coração, diz estudo

Forma de consumir maçã muda efeito no coração. (Foto: Pixabay via Canva)
Forma de consumir maçã muda efeito no coração. (Foto: Pixabay via Canva)

A forma como você consome uma simples maçã pode fazer muito mais diferença do que parece. Um novo estudo científico aponta que não é apenas o alimento que importa, mas também como ele é ingerido. No caso da maçã, essa escolha pode influenciar diretamente a saúde do coração e até o risco de morte em pessoas com hipertensão.

Quando a fruta é aliada de verdade

Segundo o estudo publicado na revista Frontiers in Nutrition, conduzido por Chuang Sun em 2025, o consumo de maçã inteira está associado a benefícios significativos para a saúde cardiovascular.

A pesquisa acompanhou 2.368 adultos hipertensos ao longo de mais de uma década. O resultado chama atenção: quem consumia maçã de 3 a 6 vezes por semana apresentou uma redução de 48% no risco de morte por todas as causas.

Além disso, o efeito positivo se manteve mesmo após ajustes para fatores como idade, doenças associadas e estilo de vida, reforçando a consistência dos dados.

Nem toda forma de consumo da maçã entrega o mesmo resultado

Apesar da fama de saudável, nem todas as formas de consumo da maçã mostraram os mesmos benefícios. O estudo também analisou:

  • Suco de maçã
  • Purê de maçã

Após ajustes estatísticos, essas versões não apresentaram associação significativa com redução do risco de morte. Em alguns casos, observou-se até uma tendência de aumento do risco, embora sem confirmação estatística.

Isso sugere que substituir a fruta por versões processadas pode não trazer o efeito esperado para o coração.

O segredo está na estrutura da fruta

Maçã inteira protege mais que suco, diz estudo. (Foto: Pexels via Canva)
Maçã inteira protege mais que suco, diz estudo. (Foto: Pexels via Canva)

A explicação para essa diferença está na composição nutricional. A maçã inteira, especialmente com casca, concentra uma combinação poderosa de nutrientes:

  • Fibras que ajudam no controle do colesterol
  • Polifenóis antioxidantes que combatem inflamações
  • Vitamina C, importante para a saúde vascular

Esses compostos atuam juntos para melhorar a função dos vasos sanguíneos, reduzir o estresse oxidativo e auxiliar no controle da pressão arterial.

Por outro lado, durante o processamento:

  • A casca é removida, reduzindo antioxidantes
  • Há perda de fibras importantes
  • Ocorre oxidação de nutrientes
  • Pode haver adição de açúcares

Esse conjunto de mudanças reduz o potencial protetor da fruta.

Pequenas escolhas, grandes impactos

A hipertensão é uma das principais causas de doenças cardiovasculares no mundo. Por isso, estratégias simples no dia a dia podem ter efeitos relevantes na saúde.

Entre elas, destaca-se a escolha por alimentos menos processados. Nesse cenário, a maçã inteira se mostra uma opção prática, acessível e eficiente.

Outro ponto importante observado no estudo é que o benefício ocorre dentro de um intervalo específico. O consumo ideal identificado foi:

  • 3 a 6 vezes por semana

Acima disso, não houve ganho adicional significativo, indicando que o equilíbrio continua sendo essencial.

Mais do que comer, é sobre como consumir

Os resultados reforçam uma ideia cada vez mais presente na nutrição moderna: o processamento dos alimentos pode alterar profundamente seus efeitos no organismo.

Assim, a maçã deixa de ser apenas uma fruta comum e passa a representar um exemplo claro de como escolhas simples podem influenciar a saúde a longo prazo.

Optar pela versão natural pode ser um passo pequeno, mas com impacto real na proteção do coração.

Rafaela Lucena é farmacêutica (CRF-RJ:13912) graduada pela UNIG. Une sua formação em saúde à paixão pela divulgação científica para traduzir estudos clínicos e farmacológicos para o cotidiano. Como responsável técnica pelo Fala Ciência, dedica-se a combater a desinformação com rigor técnico e embasamento científico de qualidade. Ver perfil no LinkedIn