Primeira semaglutida nacional chega cercada de expectativas sobre preços e acesso 

EMS promete preço menor que concorrentes. (Foto: Getty Images via Canva)
EMS promete preço menor que concorrentes. (Foto: Getty Images via Canva)

O lançamento da primeira semaglutida fabricada no Brasil avançou mais uma etapa importante. A EMS obteve a definição do valor máximo de fábrica para o Ozivy, um passo importante antes do início da comercialização no país. 

A expectativa em torno do produto é grande porque ele utiliza o mesmo princípio ativo presente em medicamentos amplamente conhecidos para o tratamento do diabetes tipo 2, como Ozempic e Wegovy. Além disso, a fabricante já sinalizou a intenção de comercializar a versão nacional com valores mais acessíveis, o que pode ampliar o acesso ao tratamento para muitos pacientes.

O que muda após a definição do preço?

A Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED) estabeleceu o teto que poderá ser praticado pela indústria na venda do Ozivy.

Para as embalagens contendo uma caneta aplicadora, o valor máximo de fábrica foi fixado em R$ 803,44, sem considerar impostos. Já as apresentações com duas canetas tiveram o limite estabelecido em R$ 1.606,88.

Essa definição é importante porque representa uma das últimas etapas regulatórias antes da comercialização em larga escala. Com o teto aprovado, a EMS está autorizada a iniciar a distribuição do medicamento para farmácias e demais pontos de venda.

No entanto, é importante destacar que o preço pago pelo consumidor poderá ser diferente. O valor final costuma variar de acordo com impostos, descontos e estratégias comerciais adotadas pelas redes farmacêuticas.

De que forma a semaglutida brasileira age no corpo? 

O Ozivy contém semaglutida, substância pertencente à classe dos agonistas do receptor de GLP-1. Esses medicamentos atuam auxiliando o controle da glicemia e melhorando a resposta metabólica em pessoas com diabetes.

A aprovação concedida para o produto brasileiro contempla exclusivamente o tratamento de diabetes tipo 2.

Essa informação merece atenção porque muitas pessoas associam a semaglutida ao emagrecimento. Apesar da popularidade do princípio ativo para controle de peso, o Ozivy não possui autorização regulatória para indicação contra a obesidade neste momento.

Por que o medicamento desperta tanto interesse?

O interesse pela semaglutida cresceu de forma expressiva nos últimos anos, tanto entre profissionais de saúde quanto entre pacientes. Isso ocorreu principalmente devido aos resultados observados no controle glicêmico e ao crescente interesse por terapias capazes de auxiliar o manejo metabólico.

Entre os principais benefícios associados à substância estão:

  • Melhora do controle da glicose sanguínea
  • Auxílio no tratamento do diabetes tipo 2
  • Aplicação prática por meio de canetas injetáveis
  • Uso semanal em muitas apresentações

Com a chegada de uma versão nacional, cresce a expectativa de maior disponibilidade do tratamento no mercado brasileiro.

Preço menor pode ampliar o acesso ao tratamento

Embora o teto regulatório aprovado seja semelhante ao dos medicamentos importados que utilizam semaglutida, a EMS informou que pretende praticar preços aproximadamente 30% inferiores aos observados em produtos concorrentes.

Se a política de preços for confirmada após a chegada do produto ao mercado, muitos pacientes poderão encontrar uma opção mais acessível para o manejo da doença. 

A entrada do Ozivy marca um momento importante para a indústria farmacêutica nacional e pode aumentar a competitividade em um dos segmentos que mais cresceram nos últimos anos. Com a etapa regulatória concluída, o mercado aguarda o início da comercialização e a divulgação dos preços finais. 

Rafaela Lucena é farmacêutica (CRF-RJ:13912) graduada pela UNIG. Une sua formação em saúde à paixão pela divulgação científica para traduzir estudos clínicos e farmacológicos para o cotidiano. Como responsável técnica pelo Fala Ciência, dedica-se a combater a desinformação com rigor técnico e embasamento científico de qualidade. Ver perfil no LinkedIn