Espirros frequentes, nariz escorrendo e coceira nos olhos podem ser bastante desconfortáveis durante a gravidez. Para aliviar esses sintomas, muitas gestantes consideram usar um antialérgico e se perguntam: grávida pode tomar loratadina?
A loratadina é um anti-histamínico utilizado no tratamento de manifestações alérgicas. Os dados científicos disponíveis são tranquilizadores quanto ao seu uso durante a gestação, sem indicação consistente de aumento do risco de malformações congênitas. Ainda assim, isso não significa que o medicamento deva ser utilizado sem orientação.
Durante a gravidez, tanto os benefícios quanto os possíveis riscos precisam ser considerados individualmente. Por isso, a escolha do tratamento deve levar em conta a fase da gestação, a intensidade dos sintomas e o histórico de saúde da mãe.
Loratadina na gravidez: o que é importante saber?
A loratadina pertence à segunda geração dos anti-histamínicos. Sua função é bloquear a ação da histamina, substância liberada pelo organismo durante as reações alérgicas e responsável por sintomas como coceira, espirros e coriza.
O medicamento costuma provocar menos sonolência do que alguns antialérgicos mais antigos. Por esse motivo, está entre as opções consideradas por profissionais de saúde para tratar alergias durante a gestação.
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Entrar no Canal do WhatsAppA loratadina pode ser utilizada para aliviar manifestações como:
- Rinite alérgica, com espirros, coriza e coceira nasal.
- Coceira nos olhos e lacrimejamento associados à alergia.
- Urticária, caracterizada por placas avermelhadas e coceira na pele.
Entretanto, ela não trata todas as causas de coriza ou espirros. Infecções respiratórias, por exemplo, podem provocar sintomas semelhantes aos de uma alergia e exigir outros cuidados.
O antialérgico aumenta o risco de malformações no bebê?
Essa é uma das principais preocupações durante a gravidez. Até o momento, os dados disponíveis sobre a loratadina não indicam um aumento consistente do risco de malformações congênitas.
Uma avaliação publicada pelo Serviço de Informação Teratológica do Reino Unido (UKTIS), atualizada em março de 2026, concluiu que os estudos disponíveis não apontam aumento do risco de aborto espontâneo, malformações, natimortalidade ou parto prematuro associado ao uso da substância durante a gestação. Ainda assim, os pesquisadores destacam limitações em parte das evidências e a necessidade de mais informações sobre o desenvolvimento infantil a longo prazo.
É importante entender essa diferença: não encontrar um aumento de risco nos estudos não equivale a provar risco zero. A segurança de um medicamento durante a gravidez é avaliada a partir de diferentes pesquisas, porque ensaios clínicos controlados com gestantes apresentam limitações éticas importantes.
Portanto, a loratadina não deve ser considerada automaticamente segura para qualquer gestante ou situação clínica. O profissional responsável precisa avaliar se o benefício esperado justifica seu uso naquele caso.
Estudo analisou os antialérgicos na gestação
Em 17 de julho de 2026, a revista científica Drug Metabolism and Personalized Therapy publicou uma revisão sobre o uso de anti-histamínicos durante a gravidez. O trabalho tem como primeira autora Maria Zofia Lisiecka, em colaboração com Joanna Luczak.
A revisão reuniu 45 publicações para examinar aspectos farmacológicos e possíveis efeitos maternos e fetais associados aos antialérgicos. Entre os medicamentos discutidos estão os anti-histamínicos de segunda geração, incluindo a loratadina.
Os autores descrevem dados clínicos que, de modo geral, são tranquilizadores para essa classe de medicamentos, embora ressaltem a importância de considerar as características individuais da gestante e as diferenças entre as substâncias.
Por se tratar de uma revisão da literatura, o artigo não representa um novo ensaio clínico com gestantes. Seus resultados dependem da qualidade e das limitações dos estudos analisados.
Pode tomar loratadina no primeiro, segundo ou terceiro trimestre?
A avaliação médica é importante em qualquer fase da gravidez. Embora os dados disponíveis não apontem um aumento consistente de malformações associado à loratadina, a decisão de usar o medicamento depende do quadro clínico.
No primeiro trimestre, período em que ocorre a formação de muitos órgãos do bebê, é especialmente importante evitar a automedicação. Isso não significa que toda exposição ao medicamento represente perigo, mas que qualquer tratamento deve ser avaliado com cuidado.
No segundo e no terceiro trimestres, também é necessário considerar os sintomas, os outros medicamentos utilizados e as condições de saúde da gestante. Não existe uma regra única que substitua a avaliação individual.
Se a loratadina já foi tomada antes de a mulher descobrir a gravidez, isso não significa, por si só, que o bebê tenha sido prejudicado. O mais indicado é informar o obstetra sobre o medicamento, a quantidade utilizada e o período da exposição, sem interromper ou iniciar tratamentos por conta própria.
Como aliviar a alergia durante a gravidez?
Dependendo da causa dos sintomas, algumas medidas podem ajudar a reduzir o desconforto sem recorrer imediatamente a medicamentos:
- Fazer lavagem nasal com solução salina apropriada.
- Reduzir a exposição à poeira, ao mofo e a outros alérgenos conhecidos.
- Manter os ambientes ventilados e limpar superfícies que acumulam poeira.
- Evitar produtos perfumados que desencadeiem sintomas.
Se essas medidas não forem suficientes, o profissional de saúde poderá avaliar opções de tratamento, incluindo medicamentos tópicos ou antialérgicos orais, conforme a necessidade.
Também é importante conferir a composição dos medicamentos combinados para gripe e resfriado. Alguns contêm várias substâncias, que podem apresentar contraindicações específicas durante a gestação.
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Afinal, grávida pode tomar loratadina?
A loratadina pode ser considerada durante a gravidez quando há indicação profissional. As evidências disponíveis são relativamente tranquilizadoras, mas a decisão deve levar em conta o quadro clínico, a fase gestacional e os demais medicamentos utilizados.
Evite a automedicação, mesmo que o antialérgico seja vendido sem receita em algumas apresentações. Se os sintomas forem persistentes, intensos ou acompanhados de dificuldade para respirar, procure atendimento de saúde.
