Durante muito tempo, a vida dos machos da tartaruga-verde permaneceu como um dos maiores mistérios da biologia marinha. Diferentemente das fêmeas, que retornam às praias para desovar, os machos passam praticamente toda a vida no oceano, dificultando seu monitoramento. Agora, uma pesquisa realizada na costa do Brasil revelou que eles seguem duas estratégias migratórias completamente diferentes, oferecendo pistas importantes para a conservação da espécie.
Dois caminhos depois da reprodução
Pesquisadores acompanharam tartarugas-verdes machos entre 2019 e 2022 utilizando transmissores via satélite instalados em uma área de reprodução brasileira. Os resultados mostraram dois comportamentos distintos após o período reprodutivo:
- 80% migraram entre 300 e 1.000 quilômetros até diferentes áreas de alimentação.
- 20% permaneceram na mesma região durante todo o ano.
Essa descoberta indica que nem todos os indivíduos precisam percorrer longas distâncias para encontrar recursos, revelando uma flexibilidade comportamental pouco conhecida nessa espécie.
O que os mergulhos revelaram
Além das rotas percorridas, os transmissores registraram informações sobre profundidade, duração e frequência dos mergulhos.
As tartarugas residentes realizaram mergulhos curtos durante o dia e mais longos à noite, enquanto as migratórias alternaram diferentes padrões ao longo da viagem. Esse comportamento pode ajudar a economizar energia durante a migração e reduzir a exposição a predadores.
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Entrar no Canal do WhatsAppNo meio da pesquisa publicada por Armando J. Barsante Santos, em 2026, na revista Marine Ecology Progress Series, esses registros mostraram que compreender o uso tridimensional do oceano é essencial para identificar os habitats mais importantes da espécie.
Uma descoberta importante para proteger a espécie
Mapear corredores migratórios permite identificar áreas onde as tartarugas ficam mais vulneráveis a redes de pesca, embarcações e outras atividades humanas.
O estudo ganha ainda mais relevância porque o sexo dos filhotes de tartarugas marinhas depende da temperatura da areia durante a incubação. Com o aumento das temperaturas globais, nascem proporcionalmente mais fêmeas.
Como os machos são fundamentais para manter a diversidade genética das populações, compreender seus deslocamentos ajuda a orientar estratégias mais eficientes para proteger essa espécie ao longo das águas brasileiras.
