A ideia de que a saúde da pele depende apenas de cremes e séruns vem sendo cada vez mais questionada pela ciência. Um estudo publicado no Journal of Investigative Dermatology demonstra que a vitamina C ingerida na alimentação viaja pela corrente sanguínea até a pele, promovendo mudanças físicas mensuráveis, como aumento da espessura cutânea e maior renovação celular.
A pesquisa, intitulada “Melhora dos níveis de vitamina C e da função cutânea após a ingestão de kiwi: um alimento rico em vitamina C”, foi conduzida por Juliet M. Pullar, Stephanie M. Bozonet e Margreet C. M. Vissers, entre outros autores, e reforça a visão de que a pele reflete diretamente o estado nutricional do organismo.
Como a vitamina C chega à pele
Diferentemente de muitos nutrientes, a vitamina C não é armazenada pelo corpo. Isso significa que seus níveis dependem de ingestão regular. O estudo mostrou que as concentrações de vitamina C no sangue estão fortemente associadas aos níveis encontrados na pele, mais do que em outros órgãos avaliados.
Uma vez na corrente sanguínea, a vitamina alcança todas as camadas da pele, incluindo a epiderme e a derme. Nessas regiões, ela atua como cofator essencial na produção de colágeno, além de participar da renovação das células epidérmicas, processos fundamentais para manter a pele firme, funcional e resistente.
O impacto visível da alimentação
Durante oito semanas, adultos saudáveis consumiram diariamente dois kiwis ricos em vitamina C, o que elevou significativamente os níveis plasmáticos da vitamina. Como consequência, os pesquisadores observaram um aumento mensurável na espessura da pele, sinal indireto de maior síntese de colágeno, além de melhora nos marcadores de regeneração cutânea.
Entre os principais efeitos observados estão:
- Espessamento da pele, associado à matriz de colágeno
- Renovação mais rápida das células da epiderme
- Melhora da função de barreira cutânea
Esses achados indicam que mudanças simples na dieta podem gerar efeitos estruturais reais na pele, e não apenas benefícios cosméticos superficiais.
Por que a dieta funciona melhor que cremes?

Embora a vitamina C seja amplamente usada em produtos tópicos, sua absorção pela barreira externa da pele é limitada. Já quando ingerida, a vitamina é distribuída de forma eficiente pelo organismo e captada ativamente pelas células da pele, especialmente nas camadas mais externas.
Isso ajuda a explicar por que a nutrição tem papel central na saúde cutânea, funcionando como um suporte contínuo para os processos biológicos da pele.
Outros alimentos também ajudam
O kiwi foi utilizado no estudo por apresentar alta e consistente concentração de vitamina C, mas os pesquisadores indicam que outros alimentos frescos podem oferecer benefícios semelhantes. Entre eles:
- Frutas cítricas
- Frutas vermelhas
- Pimentões
- Brócolis e vegetais verdes
O ponto central é manter níveis estáveis de vitamina C no sangue, algo alcançável com cerca de 250 mg diários, valor compatível com uma alimentação equilibrada.
Pele saudável começa de dentro
Os resultados reforçam um conceito cada vez mais aceito na ciência da nutrição e da dermatologia: a pele responde diretamente ao que consumimos diariamente. Assim, mais do que soluções rápidas, hábitos alimentares consistentes podem ser a chave para uma pele mais resistente, espessa e funcional ao longo do tempo.

