Como a Chikungunya se espalha e ameaça crianças e idosos

Mosquito Aedes aegypti é transmissor da doença. (Foto: Pexels via Canva)
Mosquito Aedes aegypti é transmissor da doença. (Foto: Pexels via Canva)

A Chikungunya, doença viral transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, voltou a preocupar autoridades de saúde no Brasil, especialmente em Mato Grosso do Sul, onde cinco mortes já foram registradas em 2026. 

Entre as vítimas, destacam-se bebês e idosos, grupos mais suscetíveis às complicações da doença. O cenário já é tratado como epidemia pelo governo estadual, mobilizando equipes de saúde para conter a disseminação.

Situação crítica em comunidades indígenas

Na Reserva Indígena de Dourados, casos recentes mostraram a gravidade da doença. A Aldeia Jaguapiru registrou a morte de um bebê de apenas um mês, o segundo caso fatal em lactentes neste ano. A Secretaria de Saúde local, estadual e federal acompanha de perto a evolução dos casos.

Para combater a proliferação do vírus, uma força-tarefa foi organizada, incluindo:

  • Vistoria em mais de 4.300 imóveis nas aldeias Jaguapiru e Bororó
  • Tratamento de 2.173 locais com potenciais focos do mosquito
  • Identificação de 1.004 focos, principalmente em caixas d’água, lixo e pneus
  • Aplicação de inseticidas em residências e ruas
  • 86 profissionais de controle de endemias e 29 agentes de saúde das comunidades indígenas estiveram envolvidos nas ações.

Sintomas e riscos da Chikungunya

A infecção pelo vírus Chikungunya provoca sintomas como febre alta, dores intensas nas articulações, fadiga e mal-estar geral. Em casos mais graves, podem ocorrer complicações neurológicas, incluindo encefalite, meningite e paralisia, além de uma recuperação lenta, com dores persistentes por semanas ou meses.

Panorama nacional e global

No Brasil, os estados de Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e São Paulo concentram a maior incidência da doença em 2026, com predominância de casos em mulheres e adultos jovens (20 a 29 anos). Globalmente, segundo dados da European Centre for Disease Prevention and Control de fevereiro de 2026, foram registrados 2.882 casos relacionados ao vírus em diversos continentes, incluindo América, Ásia, África e Europa. Países como Suriname, Bolívia, México, Paquistão e Seychelles também reportaram novos casos, destacando a relevância da vigilância internacional.

Prevenção é a chave

A prevenção continua sendo a forma mais eficaz de evitar a propagação da Chikungunya. As principais medidas incluem:

  • Eliminar água parada em recipientes domiciliares e comunitários
  • Cobrir caixas d’água e tonéis
  • Limpar terrenos e descartar pneus e lixo acumulado
  • Aplicar repelentes e vestir roupas que protejam braços e pernas
  • Manter vigilância ativa em comunidades vulneráveis, especialmente aldeias e áreas com alta densidade populacional

A atenção rápida aos sinais da doença, associada à mobilização de equipes de saúde, é fundamental para reduzir casos graves e óbitos. O monitoramento contínuo e a conscientização da população podem limitar a disseminação do vírus e proteger grupos de maior risco, como crianças, idosos e pessoas com comorbidades.

Rafaela Lucena é farmacêutica (CRF-RJ:13912) graduada pela UNIG. Une sua formação em saúde à paixão pela divulgação científica para traduzir estudos clínicos e farmacológicos para o cotidiano. Como responsável técnica pelo Fala Ciência, dedica-se a combater a desinformação com rigor técnico e embasamento científico de qualidade. Ver perfil no LinkedIn