O ácido acetilsalicílico, conhecido como AAS ou aspirina, é um medicamento utilizado para aliviar dores, reduzir a febre e combater a inflamação em determinadas situações. Em doses baixas, também pode ser prescrito para diminuir a formação de coágulos sanguíneos e prevenir complicações cardiovasculares em pessoas com indicação médica.
Apesar desses benefícios, conhecer os efeitos colaterais do ácido acetilsalicílico é essencial para utilizar o medicamento com segurança. O AAS pode provocar desconfortos digestivos, reações alérgicas e, em algumas circunstâncias, sangramentos graves. A probabilidade desses problemas varia conforme a dose, o tempo de uso, a idade e as condições de saúde.
Quais são os efeitos colaterais mais comuns do ácido acetilsalicílico?
Os efeitos adversos do AAS podem variar de leves a graves. Entre os sintomas que podem aparecer durante o tratamento estão:
- Dor ou desconforto no estômago: o medicamento pode irritar a mucosa gastrointestinal e causar queimação.
- Náuseas e vômitos: algumas pessoas apresentam desconforto digestivo após tomar o medicamento.
- Azia e indigestão: a irritação do trato gastrointestinal pode provocar sensação de queimação e mal-estar.
- Maior tendência a sangramentos: o AAS interfere na função das plaquetas, células que participam da coagulação do sangue.
- Reações alérgicas: embora menos comuns, podem ocorrer coceira, urticária, inchaço e dificuldade respiratória.
Nem todas as pessoas apresentam efeitos colaterais. Entretanto, a ausência de sintomas no início do tratamento não significa que o risco de complicações seja inexistente, principalmente quando o medicamento é utilizado por períodos prolongados.
O ácido acetilsalicílico pode causar sangramento no estômago?
Sim. Um dos riscos mais importantes do ácido acetilsalicílico é o sangramento gastrointestinal. Isso acontece porque o medicamento reduz a capacidade de agregação das plaquetas e também pode prejudicar mecanismos que protegem a mucosa do estômago.
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Entrar no Canal do WhatsAppEm algumas pessoas, essa combinação favorece lesões, úlceras e hemorragias no trato digestivo. O risco pode ser maior em idosos, pessoas com histórico de úlcera ou sangramento gastrointestinal e pacientes que utilizam determinados medicamentos simultaneamente.
O perigo não se limita ao estômago. O AAS também pode aumentar o risco de sangramentos em outras partes do organismo, especialmente quando existem fatores predisponentes.
Vômito com sangue, fezes pretas semelhantes a piche, sangramento persistente ou desmaio exigem atendimento médico urgente. Não ignore esses sinais, mesmo que a dose utilizada pareça pequena.
Ensaio clínico avalia os riscos do uso prolongado de aspirina
Um ensaio clínico multicêntrico, randomizado e controlado, publicado em setembro de 2026 na revista científica The Lancet Gastroenterology & Hepatology, investigou diferentes doses de aspirina em pessoas com síndrome de Lynch, uma condição genética associada ao aumento do risco de determinados tipos de câncer.
O estudo CaPP3 teve como primeiro autor John Burn e foi publicado on-line em 9 de julho de 2026, integrando a edição de setembro do periódico.
Os pesquisadores compararam doses diárias de 100 mg, 300 mg e 600 mg. Durante os primeiros dois anos, os eventos adversos de interesse foram registrados em 25% dos participantes que receberam 100 mg, 26,8% daqueles que receberam 300 mg e 31,2% dos que receberam 600 mg.
Também foram registrados eventos graves relacionados a sangramento durante o acompanhamento de cinco anos: nenhum caso no grupo de 100 mg, três casos (0,5%) no grupo de 300 mg e 11 casos (1,5%) no grupo de 600 mg.
Os resultados indicaram maior frequência de eventos adversos com a dose mais alta. Entretanto, como o estudo envolveu pessoas com síndrome de Lynch e avaliou doses específicas para esse contexto, os números não devem ser interpretados como uma estimativa universal do risco para qualquer pessoa que utiliza AAS.
Quem precisa ter mais cuidado ao tomar AAS?
Algumas condições aumentam a possibilidade de efeitos adversos. Por isso, o uso do ácido acetilsalicílico deve ser avaliado com atenção em pessoas que apresentam:
- Histórico de úlcera gástrica ou sangramento digestivo.
- Distúrbios de coagulação ou tendência a hemorragias.
- Doença renal ou hepática, dependendo da gravidade.
- Alergia ao AAS ou histórico de crises de asma desencadeadas por anti-inflamatórios.
- Idade avançada, especialmente quando existem outros fatores de risco.
O cuidado também é importante durante a gravidez. O AAS pode ser prescrito em situações específicas, como na prevenção de pré-eclâmpsia em gestantes selecionadas, mas a indicação, a dose e o período de uso precisam ser definidos pela equipe de saúde.
Em crianças e adolescentes com infecções virais, o medicamento deve ser evitado, salvo orientação especializada, devido à associação entre salicilatos e a rara, mas grave, síndrome de Reye.
Quais medicamentos podem aumentar os riscos do ácido acetilsalicílico?
O AAS pode interagir com outros medicamentos e aumentar a possibilidade de complicações. Entre os exemplos estão anticoagulantes, outros antiagregantes plaquetários e anti-inflamatórios não esteroides, como ibuprofeno e naproxeno.
A associação com corticoides e determinados antidepressivos também pode aumentar o risco de sangramento gastrointestinal em algumas circunstâncias. Além disso, o ibuprofeno pode interferir no efeito antiplaquetário do AAS em determinadas condições de uso.
Isso não significa que todas essas combinações sejam sempre proibidas. O risco depende das doses, do intervalo de administração, das doenças existentes e do objetivo do tratamento. Por isso, é importante informar ao médico ou farmacêutico todos os medicamentos e suplementos utilizados.
Quando é necessário procurar atendimento médico?
Procure atendimento urgente diante de sinais como vômito com sangue, fezes negras, sangramento intenso, falta de ar, inchaço na língua ou na garganta, desmaio ou sintomas neurológicos súbitos.
Zumbido nos ouvidos, respiração acelerada, confusão, tontura intensa e vômitos persistentes também podem indicar toxicidade, sobretudo após ingestão excessiva. Em caso de suspeita de superdosagem, não espere os sintomas piorarem para buscar ajuda.
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Como usar o ácido acetilsalicílico com mais segurança?
A segurança depende da indicação correta, da dose apropriada e da avaliação dos fatores de risco individuais. Não é recomendado começar a tomar AAS diariamente por conta própria para prevenir infarto ou acidente vascular cerebral, pois o benefício depende do histórico cardiovascular e precisa ser comparado ao risco de sangramento.
Da mesma forma, quem já utiliza o medicamento por prescrição não deve interrompê-lo sem conversar com o profissional responsável. A suspensão inadequada pode aumentar o risco de complicações em determinadas pessoas, especialmente após eventos cardiovasculares ou colocação de stent.
Em resumo, os efeitos colaterais do ácido acetilsalicílico incluem desconfortos digestivos, reações alérgicas e sangramentos, que podem ser graves. A melhor forma de reduzir os riscos é utilizar o medicamento somente quando houver indicação, respeitar a orientação recebida e reconhecer os sinais de alerta.
