A Terra pode escapar da morte do Sol, revela novo estudo surpreendente

Novo estudo indica que a Terra pode escapar da destruição quando o Sol morrer. (Imagem: Fala Ciência via Gemini)

Durante bilhões de anos, o destino da Terra pareceu estar selado: quando o Sol envelhecer, se transformar em uma gigantesca estrela vermelha e expandir suas camadas externas, nosso planeta estaria condenado a desaparecer. Porém, uma nova pesquisa sugere que a história pode ser diferente. Em vez de ser inevitavelmente engolida pela estrela moribunda, a Terra talvez consiga escapar desse destino extremo e continuar existindo em uma órbita muito mais distante.

O estudo, publicado em junho de 2026 na revista científica Astronomy & Astrophysics, foi liderado por Mats Esseldeurs, do Instituto de Astronomia da KU Leuven, na Bélgica. Os pesquisadores revisaram os modelos usados para prever a interação entre estrelas envelhecidas e seus planetas, revelando que a disputa entre gravidade e perda de massa solar pode favorecer a sobrevivência da Terra.

O duelo cósmico que decidirá o futuro terrestre

Daqui a aproximadamente 5 bilhões de anos, o Sol começará uma transformação profunda. Ao consumir grande parte do hidrogênio disponível em seu núcleo, a estrela deixará de permanecer estável e entrará na fase de gigante vermelha.

Nesse estágio, o Sol aumentará de tamanho de forma impressionante. Mercúrio e Vênus provavelmente serão engolidos pela expansão da estrela, mas o destino da Terra sempre foi motivo de debate entre astrônomos.

O futuro do planeta dependerá de dois processos que ocorrerão simultaneamente:

  • a força gravitacional das marés, que pode puxar a Terra para mais perto do Sol;
  • a perda de massa solar, que reduz a atração gravitacional e permite que os planetas se afastem.

O equilíbrio entre esses fenômenos determinará se a Terra será destruída ou se conseguirá migrar para uma órbita mais segura.

Novos cálculos mudam a previsão anterior

Modelos antigos indicavam que a atração provocada pelas interações de maré seria forte o suficiente para arrastar a Terra em direção ao Sol em expansão. No entanto, a nova pesquisa utilizou cálculos mais modernos, considerando melhor a estrutura interna das estrelas envelhecidas e sua evolução ao longo do tempo.

Os resultados apontam que a influência gravitacional do Sol moribundo pode ser menor do que se imaginava. Enquanto a estrela perde grandes quantidades de matéria através de ventos estelares, sua força gravitacional diminui gradualmente.

Com menos massa, o Sol passará a exercer uma atração mais fraca sobre os planetas restantes. Como consequência, a Terra poderia se afastar, ampliando sua órbita e evitando ser consumida pela estrela.

O exemplo de uma estrela semelhante ao Sol

Para testar esse cenário, os pesquisadores analisaram também observações da estrela L2 Puppis, uma gigante vermelha localizada a cerca de 183 anos-luz da Terra. Por possuir características semelhantes às esperadas para o futuro do Sol, ela funciona como uma espécie de laboratório natural para estudar o envelhecimento estelar.

Os dados dessa estrela indicam que a perda de massa pode desempenhar um papel ainda mais importante do que se pensava. Isso aumenta a possibilidade de que planetas como a Terra consigam sobreviver à fase mais turbulenta da evolução solar.

Sobreviver ao Sol não significa continuar habitável

Apesar da descoberta ser fascinante, ela não representa uma garantia de que a Terra continuará sendo um mundo habitável. Muito antes da transformação do Sol em gigante vermelha, o aumento gradual da luminosidade solar deve aquecer intensamente o planeta.

Estudos indicam que, em aproximadamente 1 bilhão de anos, a Terra poderá perder seus oceanos e se tornar incapaz de sustentar a vida complexa como conhecemos.

Portanto, a possível sobrevivência física do planeta bilhões de anos no futuro é uma questão diferente da sobrevivência da humanidade ou dos ecossistemas atuais.

Ainda assim, entender o destino da Terra ajuda os cientistas a compreender como sistemas planetários evoluem quando suas estrelas envelhecem. A pesquisa mostra que o fim de uma estrela não significa necessariamente a destruição de todos os mundos ao seu redor, revelando uma dinâmica cósmica muito mais complexa do que se imaginava.

Leandro C. Sinis é biólogo formado pela UFRJ e divulgador científico. Com experiência em pesquisa acadêmica, é coautor de um estudo sobre neuroproteção publicado no Journal of Biological Chemistry (DOI: 10.1074/jbc.m117.807180). Sua missão no Fala Ciência é traduzir descobertas complexas em conhecimento acessível e seguro para todos. Ver perfil no LinkedIn | Ver Currículo Lattes