O universo em seus primeiros instantes guarda fenômenos que ainda desafiam os modelos científicos atuais. Entre eles estão buracos negros colossais, estruturas galácticas extremamente compactas e pequenas fontes avermelhadas detectadas recentemente pelo Telescópio Espacial James Webb (JWST). Uma hipótese promissora para conectar esses achados envolve as chamadas estrelas escuras, objetos cósmicos teóricos que podem ter surgido nos primeiros milhões de anos após o Big Bang.
Essas estrelas não seriam alimentadas pela fusão nuclear, como estrelas comuns. Em vez disso, seu combustível seria a aniquilação de partículas de matéria escura, tornando-as fontes de energia únicas. Apesar do nome, elas poderiam ter sido extremamente luminosas, influenciando a formação de estruturas no universo primordial.
Mistérios que as estrelas escuras podem resolver

Pesquisas publicadas em Astrophysics and Cosmology at High Z por Cosmin Ilie et al., dezembro de 2025 (DOI: 10.3390/universe12010001) sugerem que essas estrelas poderiam explicar três enigmas simultaneamente:
- Buracos negros supermassivos precoces: sementes formadas pelo colapso de estrelas escuras seriam maiores e mais rápidas que buracos negros oriundos de estrelas comuns;
- Galáxias “monstros azuis”: objetos compactos e incrivelmente brilhantes, antes confundidos com galáxias inteiras, poderiam ser núcleos de estrelas escuras;
- Pequenos pontos vermelhos: fontes ultradensas de luz ultravioleta, mas sem emissão de raios X, possivelmente buracos negros cercados por camadas de material estelar.
Esses fenômenos desafiam simulações cosmológicas anteriores, indicando que a formação do universo primitivo é mais complexa do que se imaginava.
Implicações para a astronomia moderna
Se confirmadas, as estrelas escuras revolucionariam nosso entendimento da matéria escura, da evolução estelar e da origem dos buracos negros supermassivos. Elas podem ter fornecido os blocos iniciais para estruturas cósmicas complexas, surgindo antes mesmo das primeiras estrelas convencionais.
Além disso, a pesquisa aponta que essas estrelas poderiam emitir energia de formas que até o JWST começa a revelar, iluminando filamentos de matéria escura e regiões densas do universo primitivo.
Embora ainda hipotéticas, as evidências observacionais crescentes reforçam a possibilidade de que estrelas escuras sejam a chave para três dos maiores mistérios do cosmos.

