Exercício físico pode aliviar a depressão quase como terapia, diz pesquisa

Atividade física é uma opção segura e acessível contra depressão. (Foto: Getty Images via Canva)
Atividade física é uma opção segura e acessível contra depressão. (Foto: Getty Images via Canva)

A ideia de que o exercício físico faz bem para a mente não é nova. No entanto, uma nova e robusta análise científica reforça esse conceito com dados de alto nível. Segundo uma revisão sistemática recente, a prática regular de exercícios pode reduzir os sintomas da depressão com eficácia semelhante à terapia psicológica, tornando-se uma alternativa acessível, segura e de baixo custo para milhões de pessoas.

O estudo, intitulado “Exercício para depressão”, foi publicado na Cochrane Database of Systematic Reviews (2026) e conduzido por Andrew J. Clegg e colaboradores.

O peso científico por trás da conclusão

A revisão analisou 73 ensaios clínicos randomizados, reunindo dados de quase 5.000 adultos diagnosticados com depressão. Esses estudos compararam os efeitos do exercício físico com ausência de tratamento, terapias psicológicas e uso de medicamentos antidepressivos.

De forma consistente, os resultados mostraram que o exercício promoveu reduções moderadas nos sintomas depressivos quando comparado à falta de intervenção. 

Além disso, quando colocado lado a lado com a terapia psicológica, os benefícios foram semelhantes, sustentados por evidências de certeza moderada. Já em comparação com antidepressivos, os efeitos também pareceram comparáveis, embora com menor grau de certeza científica.

Por que o exercício se destaca como estratégia terapêutica?

Além do impacto positivo na saúde mental, o exercício oferece vantagens importantes:

  • Baixo custo e alta acessibilidade
  • Benefícios simultâneos para a saúde física
  • Poucos efeitos colaterais
  • Possibilidade de adaptação a diferentes perfis de pacientes

Esses fatores tornam a atividade física uma opção especialmente atrativa em contextos onde o acesso à terapia ou a medicamentos é limitado.

Qual tipo de exercício funciona melhor?

Programas combinando força e aeróbico têm melhores resultados. (Foto: Getty Images via Canva)
Programas combinando força e aeróbico têm melhores resultados. (Foto: Getty Images via Canva)

A análise identificou que atividades leves a moderadas são mais eficazes do que exercícios muito intensos. Os melhores resultados apareceram em programas com 13 a 36 sessões, distribuídas ao longo do tempo.

Nenhuma modalidade isolada se mostrou superior, mas programas combinando exercícios aeróbicos e treinamento de força apresentaram efeitos mais consistentes do que o exercício aeróbico sozinho. Já práticas como ioga, alongamento e qigong não foram incluídas nesta revisão e seguem como lacunas para pesquisas futuras.

Segurança e limites das evidências

Os efeitos adversos foram raros. Entre os participantes que se exercitaram, houve relatos ocasionais de dores musculares ou articulares, enquanto usuários de antidepressivos apresentaram efeitos típicos associados à medicação, como fadiga e desconfortos gastrointestinais.

Apesar dos resultados animadores, os pesquisadores alertam para limitações importantes. Muitos estudos tinham amostras pequenas e acompanharam os participantes por períodos curtos, o que dificulta conclusões sobre benefícios de longo prazo.

Em conjunto, os dados indicam que o exercício físico não substitui todos os tratamentos, mas pode atuar como uma ferramenta terapêutica poderosa, especialmente quando integrada a estratégias personalizadas de cuidado em saúde mental.

Rafaela Lucena é farmacêutica, formada pela UNIG, e divulgadora científica. Com foco em saúde e bem-estar, trabalha para levar informação confiável e acessível ao público de forma clara e responsável.