Quando se pensa em tubarões, a imagem clássica envolve águas salgadas, cardumes e grandes profundidades. Entretanto, o Glyphis gangeticus, mais conhecido como tubarão-do-Ganges, rompe completamente essa lógica. Esta espécie vive exclusivamente em rios de água doce do sul da Ásia, incluindo o sistema do rio Ganges e seus afluentes na Índia e Bangladesh, tornando-se um exemplo impressionante de adaptação evolutiva extrema.
- Capaz de sobreviver em ambientes turvos com quase visibilidade zero;
- Completa todo o ciclo de vida em água doce;
- Usa sensores elétricos avançados para caçar presas sem enxergar.
Essa combinação de habilidades permite que o tubarão-do-Ganges seja um predador eficiente, mesmo em águas que seriam hostis para qualquer outro tubarão oceânico.
Sensores elétricos: a visão que substitui os olhos
Os rios onde habita são extremamente turbulentos e carregados de sedimentos, tornando a visão praticamente inútil. Para compensar, o Glyphis gangeticus desenvolveu ampolas de Lorenzini altamente sensíveis, capazes de detectar os campos elétricos gerados pelos músculos em movimento de peixes e crustáceos.
Com esse sistema, mesmo sem enxergar, o tubarão consegue localizar presas com precisão, realizar ataques furtivos e silenciosos e sobreviver em condições que eliminariam a maioria dos predadores marinhos.

Embora não seja gigante, este tubarão pode atingir entre 2 e 2,6 metros de comprimento, apresentando corpo robusto, focinho curto e olhos pequenos, adaptados à baixa luminosidade. Sua dieta inclui peixes ósseos, bagres, crustáceos e pequenos vertebrados aquáticos, e o comportamento discreto e furtivo torna a espécie ainda mais difícil de estudar, contribuindo para seu status como um dos tubarões mais raros do mundo.
Conservação crítica
O tubarão-do-Ganges é classificado como Criticamente Ameaçado pela IUCN. Entre os principais riscos estão:
- Poluição intensa;
- Construção de barragens;
- Pesca acidental;
- Destruição de habitats fluviais;
- Tráfego humano constante.
A extinção desta espécie não representaria apenas a perda de um predador, mas também o colapso de seu papel ecológico essencial nos rios asiáticos.
Como o tubarão-do-Ganges revoluciona o que sabemos sobre predadores fluviais
Este tubarão prova que nem todos os tubarões dependem do mar e desafia conceitos clássicos da biologia marinha, mostrando que sensores elétricos podem ser mais importantes que visão ou velocidade, que predadores podem se adaptar a ecossistemas continentais extremos e que rios não são apenas corredores, mas habitats de espécies únicas e vulneráveis.
Pouco conhecido fora da comunidade científica, o tubarão-do-Ganges é um exemplo vivo de como a evolução pode gerar soluções surpreendentes para desafios ambientais.

