Novos quasares gigantes surpreendem ao exibir jatos maiores que galáxias inteiras

Quasares gigantes exibem jatos que ultrapassam milhões de anos-luz. (Imagem: Gerada por IA/ Gemini)
Quasares gigantes exibem jatos que ultrapassam milhões de anos-luz. (Imagem: Gerada por IA/ Gemini)

Astrônomos identificaram 53 quasares gigantes, cada um emitindo jatos que alcançam milhões de anos-luz de extensão. Esses resultados, publicados no The Astrophysical Journal Supplement Series, ajudam a reconstruir como os quasares evoluem e como o ambiente intergaláctico influencia sua forma ao longo de bilhões de anos. A descoberta impressiona não apenas pela escala, mas também pela complexidade envolvida na formação dessas estruturas.

Logo após a análise inicial, a equipe destacou que esses jatos ultrapassam o tamanho da própria Via Láctea diversas vezes. Além disso, os dados foram obtidos a partir do Levantamento Celeste do GMRT, cuja sensibilidade a baixas frequências permitiu enxergar emissões extremamente tênues, essenciais para revelar a dimensão desses gigantes. Destaques da nova pesquisa:

  • Identificados 53 quasares gigantes entre 369 objetos catalogados;
  • Jatos ultrapassam milhões de anos-luz, extremamente brilhantes em rádio;
  • Levantamentos de baixa frequência revelam detalhes antes invisíveis;
  • O ambiente cósmico altera a forma, o tamanho e a simetria dos jatos;
  • Objetos mais distantes exibem maior assimetria, indicando um Universo jovem mais turbulento.

Quando buracos negros se tornam arquitetos de megajatos

Ambiente cósmico molda o formato e a força dos jatos de rádio. (Imagem: Souvik Manik, Netai Bhukta, Sabyasachi Pal e Sushanta K. Mondal)
Ambiente cósmico molda o formato e a força dos jatos de rádio. (Imagem: Souvik Manik, Netai Bhukta, Sabyasachi Pal e Sushanta K. Mondal)

Quasares são alimentados por buracos negros supermassivos, capazes de engolir grandes quantidades de matéria e transformar parte desse processo em energia colimada. Enquanto o material espiraliza, campos magnéticos empurram plasma para fora dos polos em velocidades próximas à da luz. Com o tempo, esse fluxo forma lóbulos gigantescos, visíveis principalmente em rádio.

Esses jatos não são apenas espetaculares: funcionam como sondas do meio intergaláctico. Quando encontram regiões densas, podem ser curvados, retardados ou fragmentados. Por outro lado, em ambientes rarefeitos, avançam sem resistência, ampliando sua assimetria.

O ambiente cósmico e o caos do Universo primordial

Cerca de 14% dos quasares gigantes surgem em regiões densas de gás e matéria escura, enquanto outros se expandem por zonas quase vazias. Essa diferença explica por que muitos jatos apresentam tamanhos desiguais: cada lado enfrenta um meio completamente distinto.

Além disso, os quasares mais distantes, observados quando o Universo ainda era jovem, são notavelmente irregulares. Esse padrão sugere que o cosmos primitivo era dominado por turbulência, colisões de gás e estruturas instáveis que moldavam o comportamento desses jatos colossais.

Leandro C. Sinis é biólogo formado pela UFRJ e divulgador científico. Com experiência em pesquisa acadêmica, é coautor de um estudo sobre neuroproteção publicado no Journal of Biological Chemistry (DOI: 10.1074/jbc.m117.807180). Sua missão no Fala Ciência é traduzir descobertas complexas em conhecimento acessível e seguro para todos. Ver perfil no LinkedIn | Ver Currículo Lattes