Genérico e similar: entenda a diferença e quando você pode trocar um pelo outro

O genérico é identificado pelo princípio ativo e pela letra G. (Imagem: Getty Images)

Escolher um medicamento na farmácia pode gerar dúvidas, principalmente quando existem opções genéricas e similares com preços diferentes. Embora essas duas categorias tenham características em comum, a diferença entre genérico e similar envolve a identificação do produto, sua relação com o medicamento de referência e as regras que autorizam a substituição.

No Brasil, tanto os genéricos quanto os similares precisam atender às exigências da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Por isso, não é correto afirmar que um medicamento similar seja necessariamente inferior ao genérico ou que o produto de marca seja sempre mais eficaz.

Entender essas diferenças ajuda a fazer escolhas mais conscientes e a evitar trocas inadequadas durante um tratamento.

Qual é a diferença entre genérico e similar?

Descubra a diferença entre remédio genérico e similar. (Imagem ilustrativa: Fala Ciência)

A principal diferença está na forma como os medicamentos são identificados e nas regras de intercambialidade, ou seja, de substituição entre produtos.

O medicamento genérico é identificado pelo nome do princípio ativo, não por uma marca comercial. Sua embalagem apresenta uma faixa amarela com a letra G e a inscrição “Medicamento Genérico”.

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Já o medicamento similar é identificado por uma marca ou nome comercial. Ele contém o mesmo princípio ativo do medicamento de referência e deve apresentar a mesma concentração, forma farmacêutica, via de administração, posologia e indicação terapêutica, conforme os requisitos regulatórios aplicáveis.

As duas categorias passam por processos de avaliação sanitária, mas isso não significa que um genérico e qualquer similar possam ser trocados diretamente entre si. A Anvisa estabelece regras específicas para essa substituição.

O que é um medicamento genérico?

O genérico é desenvolvido para ser equivalente ao medicamento de referência, que serve como parâmetro para demonstrar sua qualidade e seu desempenho terapêutico.

Ele apresenta o mesmo princípio ativo, na mesma concentração e forma farmacêutica, além de seguir a mesma via de administração, posologia e indicação terapêutica do produto de referência.

Para obter o registro, o fabricante deve demonstrar o cumprimento dos requisitos de qualidade e equivalência exigidos pela Anvisa. Conforme o medicamento e as normas aplicáveis, essa avaliação pode incluir estudos de equivalência farmacêutica e bioequivalência.

A bioequivalência avalia se o organismo absorve o princípio ativo de maneira comparável à do medicamento de referência, dentro dos critérios regulatórios estabelecidos.

Por não precisar investir no desenvolvimento inicial de uma nova molécula da mesma maneira que o fabricante do produto inovador, o genérico frequentemente é comercializado por um preço menor. Entretanto, o valor varia conforme o produto, o fabricante, a apresentação e a farmácia.

O que é um medicamento similar?

O medicamento similar também contém o mesmo princípio ativo do produto de referência e precisa demonstrar qualidade, segurança e eficácia conforme as exigências sanitárias.

A principal característica que permite diferenciá-lo visualmente é a presença de uma marca comercial na embalagem.

O similar pode apresentar diferenças permitidas em aspectos como excipientes, veículos, embalagem, rotulagem, tamanho e forma do produto, desde que respeite as condições autorizadas para seu registro.

Os excipientes são substâncias utilizadas na formulação para auxiliar na fabricação, conservação, estabilidade ou administração do medicamento. Eles não correspondem ao princípio ativo responsável pelo efeito terapêutico.

Embora essas diferenças sejam permitidas, isso não significa que todos os similares sejam intercambiáveis com qualquer genérico ou com qualquer outro produto de marca.

A Anvisa exige comprovação de equivalência para que um medicamento similar possa ser substituído pelo respectivo medicamento de referência.

Genérico e similar têm a mesma eficácia?

Quando estão devidamente registrados e atendem às exigências sanitárias, tanto os genéricos quanto os similares têm sua qualidade, segurança e eficácia avaliadas de acordo com os critérios regulatórios aplicáveis.

Isso significa que não se deve presumir que um similar seja menos eficaz apenas porque possui uma marca comercial ou porque apresenta um preço diferente.

A avaliação de equivalência considera características farmacêuticas e, quando exigido, dados de biodisponibilidade ou bioequivalência. Esses parâmetros ajudam a demonstrar que o medicamento apresenta desempenho compatível com o produto de referência.

Um artigo científico publicado em 3 de setembro de 2026, na revista The AAPS Journal, discutiu a importância de harmonizar os critérios internacionais de avaliação de medicamentos genéricos e biossimilares.

O trabalho, intitulado Importance of Single Global Regulatory Standards for the Assessment of Generic and Biosimilar Medicines to Advance Patient Access, tem como primeira autora Antonela Rodriguez. A pesquisa combinou entrevistas estruturadas com representantes da indústria farmacêutica e análises de literatura e bases regulatórias. Os autores identificaram diferenças entre exigências regulatórias de diversos países que podem aumentar custos e atrasar a disponibilização de medicamentos.

O estudo não comparou diretamente medicamentos genéricos e similares comercializados no Brasil. Sua contribuição para este tema está em destacar a importância dos critérios científicos e regulatórios na avaliação da qualidade e da equivalência dos medicamentos.

Posso trocar um medicamento genérico por um similar?

Não se deve fazer essa troca automaticamente. Segundo as orientações da Anvisa, um medicamento genérico pode ser substituído pelo respectivo medicamento de referência, e o medicamento de referência pode ser substituído por um genérico, respeitadas as regras aplicáveis.

No caso dos similares, a substituição pelo medicamento de referência depende da comprovação de equivalência e da identificação do produto como intercambiável.

Entretanto, a troca direta entre um genérico e um similar não é autorizada automaticamente, porque os testes de equivalência são realizados em relação ao medicamento de referência, e não necessariamente entre esses dois produtos.

Por isso, antes de mudar o medicamento utilizado no tratamento, o paciente deve consultar o farmacêutico ou o profissional de saúde responsável pela prescrição.

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Qual costuma ser mais barato: genérico ou similar?

Não existe uma regra segundo a qual todo genérico seja mais barato do que qualquer similar. Os preços dependem de fatores como fabricante, apresentação, concentração, quantidade de unidades, descontos e estabelecimento comercial.

O genérico costuma ser uma alternativa econômica ao medicamento de referência, mas um similar também pode apresentar preço competitivo.

Ao comparar valores, verifique se os produtos possuem o mesmo princípio ativo, concentração, forma farmacêutica e apresentação. Um preço menor, isoladamente, não é suficiente para determinar qual medicamento pode substituir o outro.

Também vale lembrar que medicamentos com o mesmo princípio ativo podem ter apresentações diferentes, como comprimidos, cápsulas, soluções e suspensões. Essas apresentações não devem ser consideradas equivalentes sem verificar as características e as orientações de uso.

Rafaela Lucena é farmacêutica (CRF-RJ:13912) graduada pela UNIG. Une sua formação em saúde à paixão pela divulgação científica para traduzir estudos clínicos e farmacológicos para o cotidiano. Como responsável técnica e editora de saúde do Portal Fala Ciência, dedica-se a combater a desinformação na internet, garantindo que o conteúdo seja sempre baseado em rigor técnico, empatia e evidências científicas de qualidade. Ver perfil no LinkedIn