Pregabalina: efeitos colaterais que vão além do sono e da tontura

Sonolência e tontura estão entre os efeitos da pregabalina. (Imagem: Pexels)

A pregabalina efeitos colaterais é uma busca comum entre pessoas que utilizam esse medicamento para controlar dores neuropáticas, fibromialgia ou determinadas condições neurológicas. Embora o remédio possa ajudar no controle dos sintomas, ele também pode provocar reações indesejadas que variam conforme a dose, o organismo e o uso de outros medicamentos.

Entre os efeitos mais conhecidos estão tontura, sonolência, boca seca, visão embaçada, inchaço e aumento de peso. Algumas pessoas apresentam sintomas leves, enquanto outras precisam de avaliação médica para ajustar o tratamento ou investigar uma reação mais importante.

Quais são os efeitos colaterais mais comuns da pregabalina?

Conheça os principais efeitos adversos da pregabalina segundo a bula.

Os efeitos adversos mais frequentemente associados à pregabalina envolvem o sistema nervoso e algumas alterações físicas. Entre eles estão:

  • Tontura: pode causar sensação de desequilíbrio e aumentar o risco de quedas.
  • Sonolência: provoca sono durante o dia e pode reduzir o estado de alerta.
  • Boca seca: pode gerar desconforto e aumentar a necessidade de beber água.
  • Visão embaçada: pode dificultar temporariamente algumas atividades cotidianas.
  • Inchaço: especialmente nos pés, tornozelos e pernas, devido ao acúmulo de líquido.
  • Ganho de peso: pode ocorrer durante o tratamento, inclusive em associação a alterações no apetite ou retenção de líquidos.
  • Dificuldade de concentração: algumas pessoas relatam sensação de lentidão mental ou dificuldade para manter a atenção.

A bula profissional da pregabalina descreve essas reações entre os efeitos observados em estudos clínicos. A intensidade varia de pessoa para pessoa, e a presença de um sintoma não significa necessariamente que o medicamento seja a única causa.

Pregabalina causa sono e tontura?

Sim. Sonolência e tontura estão entre os efeitos colaterais mais característicos da pregabalina. Essas reações podem aparecer principalmente no início do tratamento ou após o aumento da dose.

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Por esse motivo, é importante ter cuidado ao levantar-se, caminhar em locais escorregadios ou realizar atividades que exijam atenção. Não dirija nem opere máquinas se estiver sonolento, tonto ou com a visão alterada.

O risco de sedação também merece atenção quando a pregabalina é utilizada junto de álcool, opioides, benzodiazepínicos ou outros medicamentos que deprimem o sistema nervoso central. Essas combinações podem intensificar a sonolência e, em determinadas situações, causar depressão respiratória, uma complicação potencialmente grave.

Pregabalina engorda ou provoca inchaço?

O ganho de peso é um possível efeito colateral da pregabalina. A alteração pode estar relacionada ao aumento do apetite, à duração do tratamento e à dose utilizada. O medicamento também pode provocar edema periférico, caracterizado pelo acúmulo de líquido nos tecidos.

É importante diferenciar essas situações: o aumento na balança nem sempre acontece exclusivamente por retenção de líquidos. Caso o peso aumente rapidamente ou surja inchaço persistente nas pernas e nos pés, procure orientação médica.

Pessoas com doenças cardíacas, renais ou outras condições que favoreçam a retenção de líquidos devem informar seu histórico ao profissional responsável antes e durante o tratamento.

Estudo analisou reações adversas

Um estudo publicado em 28 de agosto de 2026, na revista científica Medicine, investigou relatos de reações adversas associados à pregabalina registrados na base internacional de farmacovigilância da Organização Mundial da Saúde.

O trabalho foi liderado por Fahad S. Alshehri e analisou 164.223 notificações relacionadas ao medicamento, reunidas até outubro de 2025. Entre as categorias mais frequentes estavam alterações gerais, distúrbios do sistema nervoso e manifestações psiquiátricas. Os autores também identificaram relatos envolvendo tontura, sonolência, alterações comportamentais e prejuízos funcionais, como dificuldade para dirigir.

A pesquisa ajuda a caracterizar os tipos de problemas relatados durante o uso da pregabalina. Entretanto, existe uma limitação importante: notificações de farmacovigilância não comprovam, isoladamente, que o medicamento causou cada evento, nem permitem calcular diretamente a probabilidade de uma pessoa apresentar determinada reação.

Quais efeitos colaterais exigem atendimento médico?

Conheça os sintomas graves da pregabalina que exigem ajuda médica urgente. (Imagem ilustrativa: Fala Ciência)

Embora muitos efeitos sejam leves, algumas manifestações precisam de avaliação rápida. Procure atendimento de urgência se houver:

  • Dificuldade para respirar, respiração lenta ou dificuldade incomum para despertar.
  • Inchaço súbito no rosto, nos lábios, na língua ou na garganta, especialmente com falta de ar.
  • Reação alérgica intensa, com urticária disseminada ou chiado no peito.
  • Desmaio, confusão intensa ou alteração importante do nível de consciência.
  • Pensamentos de suicídio ou mudanças graves e incomuns no comportamento.

Esses sinais não devem ser tratados como efeitos esperados ou ignorados. Em caso de suspeita de reação grave, procure assistência médica imediatamente.

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Como reduzir o risco de efeitos adversos?

A principal medida é utilizar a pregabalina exatamente conforme a prescrição. A dose pode precisar de ajuste conforme a resposta ao tratamento, a tolerância e a função renal, já que os rins participam da eliminação do medicamento.

Informe ao médico todos os remédios e suplementos que utiliza, principalmente aqueles que provocam sono. Evite consumir álcool durante o tratamento sem orientação profissional e não aumente a dose por conta própria.

Outro cuidado essencial é não interromper a pregabalina abruptamente. A suspensão rápida pode provocar sintomas como insônia, ansiedade, náuseas, dor de cabeça e diarreia. Em pessoas com epilepsia, também pode aumentar o risco de crises. Quando a interrupção é indicada, o profissional geralmente orienta uma redução gradual.

Gestantes, pessoas que planejam engravidar e mulheres que amamentam devem discutir os riscos e benefícios do tratamento com o médico antes de tomar decisões sobre o medicamento.

Rafaela Lucena é farmacêutica (CRF-RJ:13912) graduada pela UNIG. Une sua formação em saúde à paixão pela divulgação científica para traduzir estudos clínicos e farmacológicos para o cotidiano. Como responsável técnica e editora de saúde do Portal Fala Ciência, dedica-se a combater a desinformação na internet, garantindo que o conteúdo seja sempre baseado em rigor técnico, empatia e evidências científicas de qualidade. Ver perfil no LinkedIn