Estudo global mostra como a vacinação influencia a evolução do sarampo

A vacinação infantil é essencial para prevenir casos de sarampo. (Imagem: Monica Todica's Images)

O sarampo é uma doença altamente contagiosa que pode provocar complicações graves, principalmente em crianças pequenas. Embora a vacinação tenha reduzido drasticamente seu impacto em diversas partes do mundo, dados globais recentes mostram que esse avanço não está garantido: os casos e as mortes voltaram a aumentar enquanto a cobertura vacinal perdeu força.

Uma análise internacional publicada em outubro de 2026 examinou a evolução da doença durante mais de três décadas. Os resultados mostram como a vacinação está relacionada à redução da carga do sarampo e apontam os riscos de deixar crianças sem as doses recomendadas.

A queda dos casos perdeu força depois de 2020

Entre 1990 e 2019, a incidência global de sarampo caiu aproximadamente 80%, enquanto a mortalidade diminuiu cerca de 90%. Essa evolução ocorreu durante um período de ampliação da imunização e de fortalecimento dos programas de vacinação em diferentes países.

Entretanto, a tendência mudou após 2020. As estimativas do estudo indicaram que, em 2023, o mundo registrou cerca de 15,6 milhões de casos e 118 mil mortes por sarampo. Em comparação com 2019, isso representa aumento de aproximadamente 40% nos casos e 12% nos óbitos.

A mudança preocupa porque o sarampo pode se espalhar rapidamente em comunidades com muitas pessoas suscetíveis à infecção. Além disso, a doença pode causar pneumonia, inflamação cerebral e outras complicações potencialmente fatais.

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A cobertura vacinal ainda está abaixo da meta global

Vacinação contra sarampo avança, mas segue abaixo da meta de 90%. (Imagem ilustrativa: Fala Ciência)

A análise também identificou mudanças importantes na vacinação infantil. A proporção de crianças que receberam a primeira dose da vacina contra o sarampo aumentou de 67,2% em 1990 para 83,6% em 2019. Depois disso, porém, recuou para 81% em 2023.

Já a cobertura da segunda dose avançou de 14,4% em 1990 para 68,4% em 2019, chegando a 71,4% em 2023.

Apesar da melhora histórica, os números continuam abaixo da meta internacional de 90% de cobertura vacinal, prevista na Agenda de Imunização 2030. Para o controle do sarampo, manter a vacinação em níveis elevados é fundamental, pois o vírus pode provocar surtos quando encontra grupos com proteção insuficiente.

A segunda dose também é importante porque nem todas as pessoas desenvolvem proteção adequada após a primeira aplicação.

Crianças de regiões vulneráveis enfrentam maior risco

O levantamento apontou que a África Subsaariana e o Sul da Ásia concentram uma parcela importante da carga global da doença. Nessas regiões, dificuldades de acesso aos serviços de saúde e falhas na cobertura vacinal podem deixar mais crianças vulneráveis.

No entanto, o risco não se limita a países de baixa renda. Sempre que a vacinação fica incompleta, o vírus encontra oportunidades para circular, inclusive em comunidades onde a doença era anteriormente controlada.

Pesquisa de 2026 analisou 204 países

Publicado em 21 de outubro de 2026, na revista científica Nature Medicine, o estudo foi conduzido pelos colaboradores do GBD 2023 para o Sarampo, com dados de 204 países e territórios entre 1990 e 2023.

A pesquisa avaliou casos, mortes, impacto da doença na saúde e cobertura da primeira e da segunda dose da vacina em crianças menores de cinco anos. Por utilizar estimativas populacionais e dados de diferentes regiões, oferece uma visão abrangente da evolução global do sarampo.

Os resultados mostram uma associação entre a estagnação da vacinação e o ressurgimento da doença, embora a análise, por si só, não determine todas as causas do aumento recente.

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Vacinação continua sendo essencial para prevenir surtos

O sarampo pode ser prevenido por meio da vacinação, e manter o calendário infantil atualizado é uma das principais medidas para reduzir o risco de infecção e complicações. A recuperação das coberturas depende de facilitar o acesso às doses, identificar crianças com vacinação incompleta e fortalecer os programas de imunização.

Para conhecer outras pesquisas sobre saúde pública, prevenção e ciência, acompanhe os conteúdos do Fala Ciência, que traduz descobertas científicas para o dia a dia.

Rafaela Lucena é farmacêutica (CRF-RJ:13912) graduada pela UNIG. Une sua formação em saúde à paixão pela divulgação científica para traduzir estudos clínicos e farmacológicos para o cotidiano. Como responsável técnica e editora de saúde do Portal Fala Ciência, dedica-se a combater a desinformação na internet, garantindo que o conteúdo seja sempre baseado em rigor técnico, empatia e evidências científicas de qualidade. Ver perfil no LinkedIn