Depois dos 40, estes alimentos ajudam a preservar a massa muscular sem suplementos

Ovos e feijão fornecem proteínas importantes para os músculos. (Imagem: Fala Ciência)

Depois dos 40, manter a massa muscular deixa de depender apenas de exercícios. A alimentação passa a ter um papel cada vez mais importante, especialmente quando o objetivo é preservar força, mobilidade e independência ao longo dos anos.

Isso não significa, porém, que seja necessário comprar suplementos proteicos caros. O próprio prato pode fornecer proteínas de boa qualidade por meio de alimentos acessíveis, como ovos, peixes, carnes, leite e derivados, feijão, lentilha e outras leguminosas.

O músculo precisa de matéria-prima todos os dias

Com o envelhecimento, o organismo tende a ficar menos eficiente para transformar os aminoácidos das proteínas em novo tecido muscular. Esse fenômeno é conhecido como resistência anabólica.

Por isso, simplesmente comer pouco durante o dia e concentrar a maior parte da proteína em uma única refeição pode não ser a estratégia mais interessante.

Uma alimentação cotidiana pode distribuir fontes proteicas entre as refeições, por exemplo:

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  • Café da manhã: ovos, leite ou iogurte natural.
  • Almoço: feijão, lentilha, peixe, frango ou carne.
  • Lanche: iogurte, queijo ou outra fonte proteica.
  • Jantar: ovos, peixe, frango, leguminosas ou derivados do leite.

Além da proteína, esses alimentos entregam vitaminas, minerais, fibras e outros nutrientes que participam do funcionamento adequado do organismo.

Feijão e ovos também entram nessa conta

Quando se fala em preservação muscular, é comum pensar imediatamente em whey protein. Entretanto, proteína não é sinônimo de suplemento.

Feijão, lentilha, grão-de-bico, ovos, peixes, carnes e laticínios podem fazer parte de uma alimentação com quantidade adequada de proteína. Combinar diferentes grupos alimentares também ajuda a ampliar a variedade de aminoácidos e nutrientes consumidos.

Além disso, um padrão alimentar saudável não deve ser construído apenas em torno da proteína. Frutas, verduras, legumes, cereais integrais, castanhas e azeite também contribuem para uma dieta nutricionalmente equilibrada.

A quantidade ganha importância com a idade

Alta ingestão de proteína melhora a função física em idosos. (Imagem: Fala Ciência)

Um estudo publicado na npj Aging em 25 de março de 2026, liderado por Hélio José Coelho-Júnior, acompanhou 532 adultos com 65 anos ou mais por vários anos. Os pesquisadores observaram que maior ingestão de proteína, especialmente em níveis de 0,8 a 1,0 g por quilo de peso corporal ao dia ou acima, esteve associada a melhores indicadores de função física e a menor risco de alguns desfechos relacionados à perda funcional.

O trabalho também avaliou a proteína dentro de padrões alimentares considerados saudáveis, incluindo a dieta mediterrânea e um índice baseado nas recomendações de alimentação saudável da Organização Mundial da Saúde.

É importante destacar que se trata de um estudo observacional. Portanto, os resultados mostram associações e não provam que aumentar a proteína, isoladamente, seja capaz de impedir a perda muscular.

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O prato pode ser mais importante que o pote

Para quem passou dos 40, a estratégia mais realista é pensar na alimentação como um conjunto. Proteína suficiente, variedade de alimentos e atividade física formam uma combinação muito mais ampla do que simplesmente adicionar um suplemento à rotina.

Também é importante evitar exageros. Pessoas com doença renal ou outras condições clínicas podem precisar de orientações individualizadas sobre a quantidade de proteína.

Assim, antes de gastar dinheiro com produtos específicos, vale observar o que já está disponível na cozinha. Ovos, feijão, leite, iogurte, peixe e outras fontes proteicas comuns podem ocupar um lugar importante em uma alimentação voltada à preservação da massa muscular durante o envelhecimento.

Rafaela Lucena é farmacêutica (CRF-RJ:13912) graduada pela UNIG. Une sua formação em saúde à paixão pela divulgação científica para traduzir estudos clínicos e farmacológicos para o cotidiano. Como responsável técnica pelo Fala Ciência, dedica-se a combater a desinformação com rigor técnico e embasamento científico de qualidade. Ver perfil no LinkedIn