Asfalto quente: a regra dos 5 segundos para evitar queimaduras graves nas patas do cão 

Asfalto aquecido pelo sol pode causar lesões nas patas. (Imagem: Fala Ciência)

O passeio de alguns minutos pode parecer inofensivo em um dia ensolarado, mas existe um detalhe que muitos tutores não percebem: o asfalto pode estar muito mais quente do que o ar. Para o cão, isso significa que uma caminhada sobre uma superfície aquecida pelo sol pode representar risco de lesões nas almofadas das patas.

Uma maneira simples de verificar a situação antes de sair é a chamada regra dos 5 segundos. Basta encostar o dorso da mão no asfalto por alguns segundos. Se não for possível mantê-la confortavelmente sobre a superfície, o ideal é não levar o animal para caminhar naquele local.

Essa regra não deve ser interpretada como um limite científico exato. Ela funciona como um teste prático de precaução, já que fatores como sol, sombra, tipo de pavimento, umidade e horário podem modificar bastante a temperatura do chão.

O chão pode estar muito mais quente do que parece

Em dias quentes, olhar apenas para a temperatura indicada pelo termômetro pode ser enganoso. Asfalto, concreto e outras superfícies expostas diretamente ao sol absorvem radiação e podem atingir temperaturas muito superiores às do ambiente.

Além disso, o cão não consegue simplesmente escolher colocar os pés em uma região mais fresca durante todo o passeio. Cada passo mantém as almofadas das patas em contato direto com o pavimento.

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Por isso, horários próximos ao meio-dia e ao início da tarde merecem atenção especial. Sempre que possível, os passeios devem ocorrer no começo da manhã ou no fim do dia, quando a superfície tende a estar menos aquecida.

Estudo mediu até a temperatura das patas

Uma pesquisa publicada na revista International Journal of Biometeorology em 11 de junho de 2026 avaliou as respostas de cães durante caminhadas em condições de calor.

O estudo acompanhou cinco cães durante 135 caminhadas, registrando, entre outras medidas, temperatura corporal, frequência respiratória e temperatura das almofadas das patas. Os animais caminharam durante 12 minutos em uma rua de concreto sem sombra, enquanto os pesquisadores monitoravam diferentes condições ambientais.

Um dos resultados mais interessantes foi a forte relação entre a temperatura do solo e a temperatura das patas. A correlação observada foi de 0,91, mostrando que o aquecimento da superfície estava estreitamente associado ao aumento da temperatura das almofadas.

O trabalho também observou que a temperatura das patas aumentou durante a caminhada quando a temperatura de globo negro ultrapassou 30 °C.

É importante destacar que o estudo investigou estresse térmico durante caminhadas, e não determinou uma temperatura específica capaz de provocar queimaduras nas patas. Portanto, seus resultados não estabelecem a regra dos 5 segundos como um limite médico. Ainda assim, mostram por que a temperatura da superfície deve ser levada em consideração antes do passeio.

Como perceber que a pata pode estar machucada

Identifique e trate queimaduras nas patas do seu cão pelo asfalto quente. (Imagem: Fala Ciência)

Depois de uma caminhada em uma superfície muito quente, alguns sinais merecem atenção:

  • Lambedura excessiva das patas
  • Relutância para continuar andando
  • Claudicação ou mudança na forma de caminhar
  • Vermelhidão nas almofadas
  • Descamação ou áreas com aparência esbranquiçada
  • Bolhas, feridas ou sangramento

Se houver suspeita de queimadura, o ideal é retirar o cão imediatamente da superfície quente e procurar orientação veterinária, principalmente quando houver bolhas, feridas abertas ou dor intensa.

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O melhor cuidado começa antes do passeio

A prevenção é muito mais simples do que tratar uma lesão nas patas. Além do teste com a mão, vale escolher calçadas sombreadas, gramados e horários mais frescos.

Outra estratégia é observar o comportamento do próprio animal. Se ele parar repetidamente, levantar uma pata ou tentar evitar determinada superfície, isso pode ser um sinal de que o piso está desconfortável.

No verão, portanto, o passeio continua sendo importante, mas precisa ser adaptado às condições ambientais. Poucos segundos de atenção antes de sair podem evitar uma lesão dolorosa nas patas do cão.

Leandro C. Sinis é biólogo formado pela UFRJ e divulgador científico. Com experiência em pesquisa acadêmica, é coautor de um estudo sobre neuroproteção publicado no Journal of Biological Chemistry (DOI: 10.1074/jbc.m117.807180). Sua missão no Fala Ciência é traduzir descobertas complexas em conhecimento acessível e seguro para todos. Ver perfil no LinkedIn | Ver Currículo Lattes