A vitamina D costuma ser lembrada por sua relação com os ossos, mas seu metabolismo é muito mais amplo. O organismo utiliza essa substância em processos relacionados ao metabolismo do cálcio e do fósforo, além de outras funções fisiológicas.
O problema é que uma pessoa pode apresentar níveis baixos de vitamina D sem perceber nada diferente no dia a dia. Não existe um sintoma específico que permita identificar a deficiência apenas pela observação do corpo. Por isso, a avaliação depende de contexto clínico e, quando indicada, de exame laboratorial.
A rotina moderna pode reduzir uma fonte importante
Grande parte da vitamina D é produzida pelo organismo quando a pele é exposta à radiação ultravioleta B (UVB). Entretanto, a quantidade produzida varia conforme diversos fatores.
Entre eles estão:
- exposição solar;
- estação do ano e localização geográfica;
- idade;
- pigmentação da pele;
- uso de protetor solar;
- hábitos de vida;
- alimentação;
- capacidade individual de produção e metabolismo.
Assim, viver em uma região ensolarada não significa automaticamente apresentar níveis adequados. A disponibilidade de sol e a exposição efetiva da pele são coisas diferentes.
Além disso, alimentos naturalmente ricos em vitamina D não são consumidos em grande variedade pela população. Peixes gordurosos, gema de ovo e alguns alimentos fortificados podem contribuir para a ingestão, mas a dieta sozinha nem sempre determina o status da vitamina.
Um levantamento de 2026 revelou níveis preocupantes
Uma pesquisa publicada na revista Maedica em março de 2026, com Koushik Biswas como primeiro autor, analisou dados de 8.403 pacientes do sexo feminino submetidas à dosagem de vitamina D em um hospital da Índia.
Considerando os critérios utilizados pelos pesquisadores, 33,3% apresentavam deficiência, enquanto outros 31% tinham níveis classificados como insuficientes. Apenas 35,7% estavam na faixa considerada normal pelo estudo.
Entre as participantes adultas jovens, a deficiência também foi frequente. O grupo de 19 a 24 anos apresentou prevalência de 40%. É importante observar, porém, que se tratava de uma população de pacientes que realizou o exame em um serviço de saúde, portanto os resultados não podem ser extrapolados para todas as mulheres adultas.
Por que a deficiência pode passar despercebida?
A dificuldade está justamente na ausência de sinais específicos. Vitamina D baixa não produz necessariamente sintomas claros, especialmente quando a alteração não é grave.
Cansaço, desconfortos musculares ou alterações ósseas podem ter inúmeras causas e, isoladamente, não permitem concluir que existe deficiência de vitamina D.
Por isso, tomar doses elevadas de suplementos sem avaliação não é uma estratégia adequada. Mais vitamina D não significa necessariamente mais benefício, e a necessidade de suplementação depende da situação individual.
Quando existe indicação para investigar o status da vitamina D, o marcador mais utilizado é a concentração sanguínea de 25-hidroxivitamina D [25(OH)D].
O exame é mais útil do que tentar adivinhar pelos sintomas
A deficiência de vitamina D pode estar presente sem manifestações evidentes. Por isso, quando há fatores de risco ou indicação clínica, a avaliação profissional pode determinar se existe necessidade de investigação laboratorial.
Também é importante interpretar o resultado de acordo com o contexto clínico e os critérios adotados pelo laboratório ou pelas diretrizes utilizadas, já que os pontos de corte podem variar.
