O que significa ter “mamas densas” e por que isso muda a escolha do exame de imagem? 

Mamas densas podem dificultar a leitura da mamografia. (Imagem: Doucefleur's Images via Canva)

Receber um laudo indicando mamas densas pode causar preocupação, mas essa expressão não significa que exista uma doença. A densidade mamária é uma característica observada na mamografia e está relacionada à proporção entre tecido glandular e fibroso e tecido adiposo.

O detalhe importante é que a densidade pode influenciar tanto o risco de câncer de mama quanto a capacidade da mamografia de identificar algumas lesões. Por isso, dependendo do grau de densidade e de outros fatores individuais, o médico pode considerar exames complementares.

A imagem que pode esconder uma alteração

Como a densidade mamária pode esconder tumores em mamografias. (Imagem: Fala Ciência)

Na mamografia, o tecido adiposo costuma aparecer mais escuro, enquanto o tecido fibroglandular aparece mais claro. Muitos tumores também apresentam aparência mais clara.

Quando existe grande quantidade de tecido fibroglandular, uma alteração pode ficar menos evidente devido à sobreposição dos tecidos. Esse fenômeno é conhecido como efeito de mascaramento.

A densidade mamária costuma ser classificada em quatro categorias:

  • A: predominantemente gordura.
  • B: áreas esparsas de tecido fibroglandular.
  • C: mamas heterogeneamente densas.
  • D: mamas extremamente densas.

As categorias C e D são geralmente consideradas mamas densas.

Densidade não significa automaticamente câncer

Um ponto essencial é não confundir os conceitos. Ter mamas densas não significa ter câncer e também não significa que uma mulher necessariamente precisará fazer ressonância ou ultrassom.

A decisão depende do conjunto de informações, incluindo idade, histórico familiar, histórico pessoal, resultados anteriores e grau de densidade mamária.

Além disso, exames complementares podem aumentar a detecção de algumas alterações, mas também podem encontrar achados que inicialmente parecem suspeitos e depois se mostram benignos. Portanto, mais exames não significam necessariamente melhor rastreamento para todas as mulheres.

Uma revisão comparou as principais opções

Uma revisão sistemática e meta-análise publicada na revista The Breast em fevereiro de 2026, com Sinéad N. Duggan como primeira autora, avaliou 36 estudos sobre métodos complementares de rastreamento em mulheres com mamas densas.

Na comparação com a mamografia isolada, a ressonância magnética identificou aproximadamente 18,9 cânceres adicionais por 1.000 exames. Para tomossíntese digital, ultrassom automatizado e ultrassom manual, os acréscimos foram menores, de aproximadamente 1,7, 2,3 e 2,6 casos por 1.000 exames, respectivamente. Os autores também observaram que as evidências sobre mamografia com contraste ainda eram limitadas.

Esses números não significam que toda mulher com mama densa precise realizar ressonância. O próprio estudo avaliou diferentes estratégias e também considerou aspectos econômicos, mostrando que a escolha do exame deve levar em conta o contexto individual.

O próximo exame depende do risco individual 

Quando o laudo informa mamas densas, o mais importante é conversar com o profissional responsável pelo acompanhamento. A densidade pode influenciar a interpretação das imagens, mas não deve ser analisada isoladamente.

Em algumas situações, pode ser considerado um exame complementar, como ultrassom, ressonância magnética ou outra modalidade de imagem. A indicação depende do risco individual e das características encontradas na avaliação.

Assim, ter mamas densas não é motivo para pânico. É uma informação adicional que ajuda a equipe de saúde a decidir qual estratégia de rastreamento oferece o melhor equilíbrio entre detecção e possíveis exames desnecessários.

Rafaela Lucena é farmacêutica (CRF-RJ:13912) graduada pela UNIG. Une sua formação em saúde à paixão pela divulgação científica para traduzir estudos clínicos e farmacológicos para o cotidiano. Como responsável técnica pelo Fala Ciência, dedica-se a combater a desinformação com rigor técnico e embasamento científico de qualidade. Ver perfil no LinkedIn