Vermelhidão e descamação no rosto: como diferenciar pele seca de dermatite seborreica induzida por fungos

Nem toda descamação é apenas pele seca. (Foto: Pixelshot via Gemini)

É comum atribuir a vermelhidão e descamação no rosto ao clima frio ou à falta de hidratação. No entanto, quando esses sintomas persistem, voltam com frequência ou aparecem sempre nas mesmas regiões, a causa pode ser outra. Entre as possibilidades mais comuns está a dermatite seborreica, uma condição inflamatória que envolve uma resposta exagerada da pele à presença de fungos do gênero Malassezia, naturalmente encontrados na pele humana.

Embora as duas condições possam parecer semelhantes à primeira vista, existem diferenças importantes que ajudam a identificar quando apenas um hidratante pode ser suficiente e quando é necessário um tratamento específico.

O local das lesões costuma dar pistas importantes

A pele seca geralmente provoca sensação de repuxamento, aspereza e descamação fina distribuída de forma mais uniforme pelo rosto.

Já a dermatite seborreica costuma surgir em áreas ricas em glândulas sebáceas, como:

  • Laterais do nariz.
  • Sobrancelhas.
  • Linha do cabelo.
  • Atrás das orelhas.
  • Barba, nos homens.

Além da descamação, é comum haver vermelhidão, coceira leve e placas com aspecto mais oleoso ou amarelado.

Outro detalhe importante é que a dermatite costuma evoluir em períodos de melhora e piora, sendo favorecida por fatores como estresse, alterações hormonais e clima frio.

Nem todo ressecamento melhora apenas com hidratante

Quando o problema é apenas a pele seca, hidratar a pele e reduzir o uso de produtos irritantes costuma trazer melhora rápida.

Na dermatite seborreica, porém, o hidratante sozinho normalmente não resolve o quadro. Isso acontece porque existe um processo inflamatório associado ao crescimento excessivo de fungos do gênero Malassezia em pessoas predispostas.

Por esse motivo, dermatologistas frequentemente indicam produtos com ação antifúngica e anti-inflamatória, além de hidratantes específicos para preservar a barreira cutânea.

Estudo amplia o conhecimento sobre os fungos envolvidos na dermatite seborreica

Um estudo publicado na revista Mycoses, em 27 de março de 2026, liderado por Diogo Coelho de Pádua Oliveira, investigou as espécies de Malassezia presentes em pacientes brasileiros com dermatite seborreica e pitiríase versicolor.

Os pesquisadores identificaram seis espécies diferentes do fungo, sendo Malassezia furfur a mais frequente. O trabalho também avaliou a sensibilidade desses microrganismos a diversos antifúngicos, mostrando que algumas espécies respondem melhor a determinados medicamentos do que outras. Os resultados ajudam a compreender por que o tratamento pode variar entre os pacientes e destacam a importância do diagnóstico adequado.

Pequenos detalhes ajudam a diferenciar os dois problemas

Pele seca e dermatite têm sinais diferentes. (Foto: Fala Ciência via Gemini)

Alguns sinais favorecem o diagnóstico de pele seca:

  • Descamação fina e esbranquiçada.
  • Sensação intensa de ressecamento.
  • Melhora com hidratação adequada.

Já na dermatite seborreica, costumam predominar:

  • Vermelhidão persistente.
  • Descamação mais espessa ou amarelada.
  • Oleosidade nas áreas afetadas.
  • Episódios recorrentes.

Se os sintomas persistirem por várias semanas ou piorarem mesmo com hidratantes, é recomendável procurar um dermatologista.

O tratamento depende da causa correta

Embora ambas provoquem descamação, pele seca e dermatite seborreica exigem cuidados diferentes. Enquanto uma responde principalmente à reposição da hidratação e à proteção da barreira cutânea, a outra frequentemente necessita de medicamentos antifúngicos e medidas para controlar a inflamação.

Por isso, observar o padrão das lesões, sua localização e a frequência das crises pode evitar tratamentos inadequados e acelerar a recuperação da pele.

Rafaela Lucena é farmacêutica (CRF-RJ:13912) graduada pela UNIG. Une sua formação em saúde à paixão pela divulgação científica para traduzir estudos clínicos e farmacológicos para o cotidiano. Como responsável técnica pelo Fala Ciência, dedica-se a combater a desinformação com rigor técnico e embasamento científico de qualidade. Ver perfil no LinkedIn