Dorme bem mas acorda exausto? Como diferenciar fadiga crônica de deficiência de vitamina D e B12

Dormir bem nem sempre elimina o cansaço. (Foto: Pixelshot via Gemini)

Quem nunca acordou cansado depois de uma boa noite de sono? Quando isso acontece ocasionalmente, geralmente não há motivo para preocupação. No entanto, se a sensação de exaustão se torna constante, mesmo após dormir o número de horas recomendado, é importante investigar a causa.

Embora o estresse, a ansiedade e distúrbios do sono sejam explicações frequentes, algumas deficiências nutricionais silenciosas, especialmente de vitamina D e vitamina B12, também podem comprometer a disposição física e mental. Além disso, existe a possibilidade de fadiga crônica, uma condição que exige avaliação médica e apresenta características próprias.

O cansaço nem sempre tem a mesma origem

Sentir-se cansado não significa, necessariamente, estar com sono. A fadiga costuma ser uma sensação persistente de falta de energia que não melhora completamente com o descanso.

Quando está relacionada à deficiência de vitamina B12, podem surgir também:

  • Dificuldade de concentração.
  • Formigamento nas mãos e nos pés.
  • Falhas de memória.
  • Palidez.
  • Fraqueza muscular.

Já a deficiência de vitamina D costuma estar associada a:

  • Dores musculares.
  • Desânimo persistente.
  • Fraqueza.
  • Desconforto ósseo.
  • Maior dificuldade para realizar atividades físicas.

Na fadiga crônica, por outro lado, o cansaço costuma durar mais de seis meses e pode ser acompanhado por piora após pequenos esforços, dificuldade de raciocínio e sensação de recuperação lenta mesmo após repouso.

Novas evidências aproximam vitamina B12 e falta de energia 

Um estudo publicado na revista Nutrients, em 17 de março de 2026, liderado por Hiroaki Kanouchi, investigou a relação entre marcadores ligados à vitamina B12 e sintomas de fadiga em 602 adultos saudáveis.

Os pesquisadores observaram que participantes com níveis mais elevados de homocisteína, marcador que pode aumentar quando há deficiência de vitamina B12 e folato, apresentavam maior fadiga física e menor motivação. Os resultados sugerem que alterações nutricionais discretas podem influenciar a sensação de cansaço mesmo em pessoas sem doenças conhecidas.

Antes de pensar em suplementos, vale investigar a causa

Exames ajudam a descobrir a causa da fadiga. (Foto: Fala Ciência via Gemini)

Embora seja comum associar o cansaço à falta de vitaminas, nem toda fadiga está relacionada a deficiências nutricionais.

Problemas como anemia, hipotireoidismo, diabetes, depressão, infecções, doenças inflamatórias e distúrbios do sono também podem provocar sintomas semelhantes.

Por isso, iniciar suplementos por conta própria pode mascarar o verdadeiro problema e atrasar o diagnóstico correto. Exames laboratoriais ajudam a identificar se realmente existe deficiência de vitamina D, vitamina B12, ferro ou outras alterações metabólicas.

Quando o cansaço merece atenção?

É importante procurar avaliação médica quando a exaustão:

  • Persiste por várias semanas.
  • Não melhora mesmo após dormir adequadamente.
  • Vem acompanhada de perda de força.
  • Está associada a formigamentos ou alterações de memória.
  • Prejudica as atividades do dia a dia.

Na maioria das situações, descobrir a origem do cansaço permite direcionar o tratamento de forma muito mais eficaz. Afinal, dormir bem é essencial, mas acordar disposto depende de diversos fatores que vão muito além do tempo passado na cama.

Rafaela Lucena é farmacêutica (CRF-RJ:13912) graduada pela UNIG. Une sua formação em saúde à paixão pela divulgação científica para traduzir estudos clínicos e farmacológicos para o cotidiano. Como responsável técnica pelo Fala Ciência, dedica-se a combater a desinformação com rigor técnico e embasamento científico de qualidade. Ver perfil no LinkedIn