Os medicamentos à base de semaglutida, como Ozempic e Wegovy, revolucionaram o tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2. No entanto, manter aplicações semanais durante meses ou anos ainda representa um desafio para muitos pacientes. Agora, uma nova tecnologia pretende mudar esse cenário de forma radical.
Pesquisadores estão desenvolvendo um implante subcutâneo capaz de liberar semaglutida continuamente por até um ano, eliminando a necessidade das aplicações frequentes. Embora a proposta ainda esteja em fase inicial de testes clínicos, ela já desperta grande interesse por oferecer um tratamento mais prático e potencialmente mais confortável para quem depende desse tipo de medicamento.
Uma aplicação que pode durar doze meses
O dispositivo, chamado NPM-139, está sendo desenvolvido pela Vivani Medical em parceria com a Novo Nordisk, empresa responsável pelo Ozempic e pelo Wegovy.
O implante é colocado sob a pele por meio de um procedimento minimamente invasivo e utiliza a plataforma NanoPortal, criada para liberar a semaglutida de forma lenta, contínua e previsível ao longo de vários meses.
A proposta busca resolver um problema bastante conhecido na prática clínica: a baixa adesão ao tratamento. Muitas pessoas interrompem o uso dos medicamentos por motivos como:
- Esquecimento das aplicações.
- Desconforto com as injeções frequentes.
- Efeitos gastrointestinais, como náuseas e vômitos.
- Dificuldade em manter o tratamento por longos períodos.
Ao manter níveis mais constantes do medicamento no organismo, o implante também pode reduzir as oscilações observadas entre uma aplicação semanal e outra.
Estudos iniciais mostram resultados promissores
A tecnologia utilizada pelo implante já foi avaliada no estudo LIBERATE-1, um ensaio clínico de fase inicial realizado com um implante contendo exenatida, outro medicamento pertencente à classe dos agonistas do receptor de GLP-1.
Segundo dados divulgados pela Vivani Medical em 2025, o estudo incluiu 24 voluntários com sobrepeso ou obesidade e demonstrou um perfil favorável de segurança e tolerabilidade, sem evidências de liberação abrupta do medicamento, um dos principais desafios desse tipo de tecnologia.
Além disso, experimentos pré-clínicos com o NPM-139 em modelos animais mostraram que um único implante foi capaz de manter uma redução de peso próxima de 20% por mais de um ano. Apesar do resultado animador, é importante lembrar que pesquisas em animais não garantem o mesmo desempenho em seres humanos.
A próxima etapa será decisiva
O próximo passo será o estudo clínico SLIM-1, que será conduzido na Austrália.
Nesta fase, 20 adultos com sobrepeso ou obesidade receberão o implante de semaglutida ou aplicações semanais de Wegovy em baixa dose.
O principal objetivo não será medir perda de peso, mas avaliar aspectos fundamentais, como:
- Segurança do implante.
- Tolerabilidade.
- Perfil farmacocinético, que mostra como o medicamento é liberado e absorvido pelo organismo ao longo do tempo.
Os primeiros resultados estão previstos para o final de 2026.
Ainda é cedo para falar em substituição das canetas
Embora a proposta seja bastante inovadora, o NPM-139 ainda está em fase inicial de desenvolvimento clínico. Antes de chegar ao mercado, será necessário demonstrar sua eficácia e segurança em estudos maiores, envolvendo centenas ou milhares de participantes.
Somente após essa etapa o dispositivo poderá ser analisado por agências regulatórias, como a FDA, nos Estados Unidos, e a Anvisa, no Brasil.
Se os estudos confirmarem os resultados esperados, o implante poderá representar uma nova alternativa para pacientes que enfrentam dificuldades para manter o tratamento contínuo. Até lá, porém, as canetas de semaglutida continuam sendo a opção aprovada e recomendada, sempre com acompanhamento médico.
