O mistério envolvendo a aparente mudança na rotação de Saturno finalmente ganhou uma explicação convincente graças às observações do Telescópio Espacial James Webb (JWST). Durante muitos anos, astrônomos ficaram intrigados ao perceber que o gigante gasoso parecia acelerar ou desacelerar sua rotação em diferentes medições, algo considerado improvável para um planeta desse tamanho.
Agora, um estudo publicado no Journal of Geophysical Research: Space Physics revelou que Saturno nunca alterou realmente sua velocidade de rotação. O fenômeno observado era causado por processos complexos ocorrendo na alta atmosfera do planeta.
Os cientistas descobriram que as intensas auroras polares de Saturno criam um ciclo dinâmico envolvendo aquecimento atmosférico, ventos extremamente rápidos e correntes elétricas. Esse mecanismo interfere diretamente nos sinais magnéticos usados para estimar a rotação do planeta. Entre as principais descobertas da pesquisa estão:
- Aquecimento da atmosfera provocado pelas auroras;
- Formação de correntes atmosféricas intensas;
- Geração de sinais elétricos na atmosfera superior;
- Alterações nos dados usados para medir a rotação;
- Forte interação entre atmosfera e magnetosfera.
O fenômeno observado desde a missão Cassini
O enigma ganhou destaque após medições realizadas pela missão Cassini, da NASA, em 2004. Na época, os dados sugeriam pequenas variações na velocidade de rotação de Saturno ao longo do tempo.
Como mudanças desse tipo são extremamente improváveis em escalas curtas, os pesquisadores passaram anos tentando entender a origem do fenômeno.
Estudos anteriores já apontavam que as auroras poderiam influenciar os sinais eletromagnéticos do planeta. No entanto, ainda faltava identificar o mecanismo responsável pela geração dos ventos atmosféricos observados.
James Webb trouxe um novo nível de precisão
Para investigar o problema, os cientistas utilizaram o James Webb para monitorar continuamente a região auroral norte de Saturno durante um dia completo do planeta.
As observações analisaram emissões infravermelhas de uma molécula chamada cátion tri-hidrogênio, considerada um importante indicador térmico da atmosfera superior.
Com a alta precisão do JWST, os pesquisadores conseguiram mapear regiões específicas de aquecimento e resfriamento na atmosfera de Saturno, algo impossível em estudos anteriores.
A aurora funciona como um “motor atmosférico”
Os resultados mostraram que as auroras de Saturno alimentam um ciclo energético contínuo. Partículas carregadas atingem a atmosfera e aquecem determinadas áreas do planeta. Esse aquecimento gera ventos intensos, que produzem correntes elétricas capazes de fortalecer novamente as auroras.
Esse processo cria alterações nos sinais magnéticos usados para calcular a rotação do planeta, causando a falsa impressão de que Saturno estaria mudando sua velocidade.
Além de solucionar um mistério que durava décadas, a descoberta também amplia o entendimento sobre a relação entre atmosferas planetárias e campos magnéticos. Os pesquisadores acreditam que fenômenos semelhantes podem ocorrer em outros gigantes gasosos e até em exoplanetas fora do Sistema Solar.

