Os microplásticos já foram encontrados em oceanos, alimentos, neve, chuva e até no ar que respiramos. Agora, um novo estudo publicado na revista científica Nature ajuda a esclarecer uma das maiores dúvidas sobre esse problema ambiental: afinal, de onde vêm essas partículas suspensas na atmosfera?
Pesquisadores da Universidade de Viena, liderados por Ioanna Evangelou, Silvia Bucci e Andreas Stohl, descobriram que a principal fonte de microplásticos no ar está em terra firme e não no oceano, como muitos estudos anteriores sugeriam.
Além disso, os cientistas perceberam que modelos antigos superestimavam bastante a quantidade real dessas partículas na atmosfera, o que muda a forma como o problema vinha sendo interpretado até agora.
O que são microplásticos e por que eles preocupam?
Os microplásticos são fragmentos minúsculos de plástico, geralmente menores que 5 milímetros, liberados a partir da degradação de embalagens, roupas sintéticas, pneus, tintas e outros materiais.
Essas partículas podem permanecer suspensas no ar e viajar por grandes distâncias, chegando até regiões remotas do planeta. Entre as principais fontes estão:
- Desgaste de pneus no trânsito;
- Fibras liberadas por roupas sintéticas;
- Resíduos plásticos no solo;
- Partículas liberadas da superfície dos oceanos;
- Poeira urbana contaminada.
O problema preocupa porque humanos e animais podem inalar microplásticos, o que levanta questionamentos sobre possíveis impactos respiratórios, inflamatórios e ambientais.
A terra libera muito mais plástico no ar que o oceano
Durante muito tempo, acreditava-se que os oceanos fossem os maiores responsáveis pela liberação de microplásticos atmosféricos. No entanto, a nova pesquisa mostrou um cenário diferente.
Após analisar 2.782 medições globais e comparar os dados com modelos computacionais, os pesquisadores concluíram que as fontes terrestres emitem mais de 20 vezes mais partículas para a atmosfera do que as fontes oceânicas.

Isso significa que estradas, centros urbanos e superfícies contaminadas em terra desempenham um papel muito maior do que se imaginava.
Por outro lado, embora o número de partículas seja maior em terra, a massa total de plástico liberada pelo oceano ainda pode ser superior, já que as partículas marinhas tendem a ser maiores.
Modelos antigos estavam superestimando o problema
Outro ponto importante da pesquisa foi a descoberta de que muitos modelos científicos anteriores previam quantidades muito maiores de microplásticos no ar do que realmente eram observadas. Em alguns casos, a diferença chegava a várias ordens de magnitude.
Isso indica que as estimativas usadas até então estavam infladas, especialmente em relação às emissões terrestres. Após recalibrar os dados, os cientistas conseguiram resultados mais próximos da realidade.
Essa correção é fundamental para melhorar políticas ambientais e estratégias de monitoramento.
Ainda há muito a descobrir sobre essa poluição invisível
Apesar do avanço, os pesquisadores destacam que ainda existem muitas incertezas sobre o transporte e os efeitos dos microplásticos atmosféricos. Ainda não se sabe com precisão:
- Quanto vem do tráfego urbano;
- Quanto vem de outras fontes industriais;
- Qual o tamanho predominante das partículas;
- Quanto plástico realmente circula no ar globalmente.
Essas respostas são importantes porque ajudam a entender o risco real à saúde humana e ao equilíbrio ambiental.
A descoberta reforça que os microplásticos não são apenas um problema dos oceanos. Eles também estão no ar, circulando silenciosamente e mostrando que a poluição plástica alcançou praticamente todos os cantos do planeta.

