Peixe gigante de 400 kg resiste à extinção em santuário natural no litoral catarinense

Peixe de 400 kg sobrevive e alerta para preservação dos oceanos (Imagem: Getty Images via Canva)

Poucos animais marinhos impressionam tanto quanto o mero (Epinephelus itajara). Com até 400 quilos e mais de 2,5 metros de comprimento, esse peixe imponente é considerado a maior garoupa do Atlântico. Apesar do tamanho, chama atenção pelo comportamento dócil e curioso, características incomuns entre grandes predadores. No entanto, por trás dessa aparência tranquila, existe um alerta urgente: a espécie está criticada­mente ameaçada de extinção.

Felizmente, há sinais de esperança. A Baía da Babitonga, em Santa Catarina, desponta como um dos principais refúgios naturais do mero no Brasil, desempenhando papel essencial na sobrevivência da espécie.

  • Nome científico: Epinephelus itajara
  • Peso máximo: cerca de 400 kg
  • Habitat: áreas costeiras, estuários e manguezais
  • Dieta: crustáceos, peixes de fundo e até pequenos tubarões

Por que esse gigante está desaparecendo?

A redução da população do mero não ocorreu por acaso. Ao longo das últimas décadas, diversos fatores contribuíram para o declínio acelerado da espécie. Em primeiro lugar, a degradação dos manguezais compromete diretamente o desenvolvimento dos filhotes, que dependem desses ambientes como berçário natural.

Além disso, a poluição costeira e a pesca ilegal continuam sendo ameaças significativas. Mesmo com a proibição da captura no Brasil desde 2002, o mero ainda sofre com práticas predatórias. Outro ponto crítico é sua biologia: trata-se de um animal de crescimento lento e maturação tardia, iniciando a reprodução apenas entre 6 e 8 anos de idade. Ou seja, qualquer impacto populacional leva décadas para ser revertido.

Babitonga: um santuário marinho estratégico

Localizada no litoral norte de Santa Catarina, a Baía da Babitonga abriga um dos mais relevantes complexos estuarinos do sul do Brasil. Essa região concentra extensas áreas de manguezais, fundamentais para o ciclo de vida do mero.

Gostou dessa notícia?

Siga o canal do Fala Ciência no WhatsApp para receber nossos conteúdos em primeira mão!

Entrar no Canal do WhatsApp

Além disso, projetos de conservação têm atuado de forma contínua na região, promovendo pesquisas em bioecologia e ações de educação ambiental. Como resultado, a baía se tornou um verdadeiro laboratório natural para entender e proteger a espécie.

Ecologia e papel no equilíbrio marinho

O mero ocupa o topo da cadeia alimentar em seu habitat. Sua dieta inclui desde caranguejos e lagostas até peixes e cefalópodes. Esse comportamento predador ajuda a manter o equilíbrio ecológico, controlando populações e evitando desequilíbrios no ecossistema.

Portanto, a perda desse peixe não representa apenas a extinção de uma espécie, mas também um impacto em cascata na biodiversidade marinha.

Atualmente, o mero figura em listas internacionais de espécies ameaçadas, reforçando a necessidade de proteção contínua. Embora existam avanços, a recuperação populacional depende de ações de longo prazo, podendo levar mais de duas décadas para resultados significativos.

Dessa maneira, preservar o mero significa proteger não apenas um dos maiores peixes do Atlântico, mas também garantir a saúde dos ecossistemas costeiros brasileiros.

Leandro C. Sinis é biólogo formado pela UFRJ e divulgador científico. Com experiência em pesquisa acadêmica, é coautor de um estudo sobre neuroproteção publicado no Journal of Biological Chemistry (DOI: 10.1074/jbc.m117.807180). Sua missão no Fala Ciência é traduzir descobertas complexas em conhecimento acessível e seguro para todos. Ver perfil no LinkedIn | Ver Currículo Lattes