Dormir 5 minutos a mais pode impactar sua longevidade

Pequenas mudanças podem ampliar sua longevidade. (Foto: Getty Images via Canva)
Pequenas mudanças podem ampliar sua longevidade. (Foto: Getty Images via Canva)

Quando se fala em longevidade, a tendência é imaginar transformações radicais na rotina. Entretanto, uma pesquisa recente sugere que pequenas melhorias combinadas em sono, atividade física e alimentação podem gerar impactos significativos tanto na expectativa de vida quanto nos anos vividos com boa saúde.

O estudo intitulado Minimum combined sleep, physical activity, and nutrition variations associated with lifeSPAN and healthSPAN improvements: a population cohort study, conduzido por Nicholas A. Koemel e colaboradores, foi publicado em 13 de janeiro de 2026 na revista eClinicalMedicine (DOI: 10.1016/j.eclinm.2025.103741). A análise utilizou dados do UK Biobank, uma das maiores bases populacionais de saúde do mundo.

Micro hábitos, grandes efeitos

A equipe avaliou dados de quase 60 mil adultos do Reino Unido, cruzando informações sobre estilo de vida com modelos estatísticos de lifeSPAN e healthSPAN, indicadores que estimam anos totais de vida e anos vividos com boa saúde.

Os resultados mostraram que ajustes mínimos já estavam associados a ganhos mensuráveis. Entre eles:

• Dormir cinco minutos adicionais por dia
• Praticar dois minutos extras de atividade física moderada a vigorosa
• Acrescentar meia porção diária de vegetais

Segundo o modelo estatístico, indivíduos que adotavam essas pequenas melhorias apresentavam estimativa de até um ano adicional de vida em comparação com aqueles posicionados nos piores indicadores comportamentais da coorte.

Além disso, participantes com padrões mais próximos do ideal, incluindo cerca de 40 minutos diários de exercício, sete a oito horas de sono e alimentação equilibrada, apresentaram projeção de até nove anos adicionais de vida, além de maior tempo com saúde preservada.

O efeito combinado supera a mudança isolada

Um dos principais achados do estudo é que os benefícios parecem ser maiores do que a soma das partes. Ou seja, melhorar simultaneamente diferentes comportamentos pode gerar impacto superior ao de investir apenas em um único fator.

Isso ocorre porque sono, nutrição e atividade física estão interligados. Uma noite bem dormida influencia o controle do apetite e o metabolismo. A atividade física frequente contribui para um sono mais reparador e estável. A alimentação adequada, por sua vez, sustenta o desempenho físico e a recuperação corporal.

Portanto, pequenas mudanças distribuídas ao longo da rotina podem criar um efeito sinérgico relevante.

Interpretação científica e limitações

Apesar dos resultados promissores, é importante compreender que se trata de um estudo de coorte observacional. Esse tipo de pesquisa identifica associações estatísticas, mas não comprova causalidade direta.

Alguns fatores devem ser considerados:

• Os hábitos de sono e exercício foram medidos por período limitado
• A dieta foi avaliada apenas em um momento inicial
• Variáveis socioeconômicas e ambientais podem influenciar os desfechos

Assim, embora os modelos indiquem projeções consistentes, novas investigações são necessárias para confirmar a magnitude exata do efeito.

Uma estratégia mais sustentável para viver mais

Ainda que os números precisem de validação adicional, a mensagem central é consistente com a medicina preventiva moderna: mudanças graduais e sustentáveis tendem a ser mais eficazes do que metas extremas e difíceis de manter.

Em vez de buscar perfeição imediata, a incorporação progressiva de micro hábitos pode representar uma abordagem mais realista para melhorar indicadores cardiovasculares, metabólicos e cognitivos ao longo dos anos.

Em síntese, a pesquisa reforça que pequenas variações positivas em múltiplos pilares do estilo de vida podem se acumular e contribuir para uma vida mais longa e saudável.

Rafaela Lucena é farmacêutica (CRF-13912) graduada pela UNIG. Une sua formação em saúde à paixão pela divulgação científica para traduzir estudos clínicos e farmacológicos para o cotidiano. Como responsável técnica pelo Fala Ciência, dedica-se a combater a desinformação com rigor técnico e embasamento científico de qualidade. Ver perfil no LinkedIn