Cientistas descobrem estrela oculta em sistema binário por trás de flashes cósmicos misteriosos

Rajadas de rádio revelam estrela companheira oculta no espaço (Imagem: Fala Ciência via ChatGPT)
Rajadas de rádio revelam estrela companheira oculta no espaço (Imagem: Fala Ciência via ChatGPT)

As rajadas rápidas de rádio (FRBs) continuam sendo um dos fenômenos mais intrigantes do universo. Esses flashes de energia intensa duram apenas milissegundos, mas podem liberar tanta energia quanto o Sol em dias inteiros. Até recentemente, acreditava-se que esses sinais se originavam de estrelas isoladas. No entanto, uma pesquisa liderada pela Universidade de Hong Kong revela que pelo menos algumas FRBs estão ligadas a sistemas binários, onde duas estrelas orbitam uma à outra, incluindo um magnetar e uma estrela semelhante ao Sol.

Observações detalhadas, conduzidas por quase 20 meses usando o Telescópio FAST na China e complementadas pelo telescópio Parkes na Austrália, detectaram um evento raro que mudou a compreensão sobre a origem dessas rajadas. Principais descobertas do estudo:

  • Identificação de um sinal abrupto de polarização, chamado de “flare RM”, indicando mudanças drásticas no ambiente magnético;
  • Evidências de uma ejeção de massa coronal de uma estrela companheira, gerando nuvens de plasma densas e magnetizadas;
  • Confirmação de que FRBs repetitivos podem estar ligados a interações complexas dentro de sistemas binários.

O plasma revela companheiros ocultos

Quando uma FRB atravessa o espaço, sua polarização linear é afetada pelo plasma magnetizado ao redor. Medidas de rotação de Faraday (RM) permitem aos astrônomos rastrear alterações abruptas nesse ambiente. No caso do FRB 220529A, detectou-se um aumento de RM em mais de cem vezes, seguido de rápida diminuição em duas semanas. Esse padrão é compatível com a passagem de uma nuvem de plasma e sugere fortemente a presença de uma estrela companheira próxima, que antes permanecia oculta.

Magnetars e FRBs mostram a dinâmica de sistemas binários distantes

Esta descoberta não apenas confirma que algumas FRBs surgem de sistemas binários, mas também reforça teorias que ligam magnetars a rajadas repetitivas. Com monitoramento contínuo, cientistas podem determinar a frequência desses sistemas e entender melhor os processos que geram flashes cósmicos em galáxias distantes.

Além disso, fornece uma ferramenta poderosa para estudar o plasma interestelar e os campos magnéticos ao redor de estrelas distantes.O estudo foi publicado na Science e envolveu pesquisadores da Universidade de Hong Kong, Universidade de Yunnan e observatórios chineses, com apoio de fundos nacionais e internacionais.

Leandro Sinis é biólogo, formado pela UFRJ, e atua como divulgador científico. Apaixonado por ciência e educação, busca tornar o conhecimento acessível de forma clara e responsável.