Zoantários surpreendem cientistas com presença global e baixa evolução genética

Zoantários cruzam oceanos mantendo aparência e genética quase intactas (Imagem: Rtcpenguin/ Domínio público)
Zoantários cruzam oceanos mantendo aparência e genética quase intactas (Imagem: Rtcpenguin/ Domínio público)

Enquanto os oceanos Atlântico e Indo-Pacífico são conhecidos por abrigar faunas completamente distintas, um grupo de hexacorais coloridos, os zoantários, parece desafiar essa regra. Pesquisas recentes na revista Frontiers of Biogeography mostraram que essas criaturas mantêm formas, cores e padrões morfológicos quase idênticos mesmo quando separadas por milhares de quilômetros de água aberta.

O que torna os zoantários tão notáveis é sua capacidade de dispersão e adaptação, que contraria os padrões evolutivos típicos de recifes de corais. Entre os destaques do estudo:

  • Fase larval prolongada, permitindo sobrevivência em mar aberto por mais de 100 dias;
  • Aproveitamento de objetos flutuantes como meio de deslocamento;
  • Evolução lenta, mantendo populações distantes geneticamente semelhantes.

Essas características tornam os zoantários viajantes oceânicos por excelência, capazes de ocupar diferentes ecossistemas tropicais e temperados com mínima diferenciação genética.

Mudança de liderança nos recifes

À medida que os corais pétreos tradicionais enfrentam estresse ambiental, os zoantários vêm conquistando nichos antes dominados por corais, mostrando-se mais resilientes. Essa “mudança de fase” nos recifes tem importantes implicações para a biodiversidade marinha, incluindo a ocupação de habitats afetados por aquecimento ou poluição, a manutenção da estrutura e funcionalidade dos recifes e o potencial para substituir corais em áreas degradadas. 

Essa adaptação evidencia que os zoantários podem servir como indicadores da saúde dos ecossistemas marinhos e orientar estratégias de conservação.

Atlas global de zoantários revela segredos da dispersão oceânica

O estudo reuniu uma equipe internacional com pesquisadores do Havaí, Japão, Rússia, Brasil, Hong Kong, Taiwan e Indonésia, combinando sequências de DNA e registros de espécies que vão do México às Filipinas. 

Como resultado, foi criado o primeiro atlas global de zoantários, que permite monitorar a dispersão e evolução dessas espécies entre os oceanos, prever como os recifes se adaptam às mudanças climáticas e fornecer bases científicas sólidas para conservação e pesquisa futura. 

Esse mapeamento consolida os zoantários como modelos essenciais para entender a resiliência, a conectividade oceânica e a adaptação evolutiva em ambientes marinhos.

Leandro Sinis é biólogo, formado pela UFRJ, e atua como divulgador científico. Apaixonado por ciência e educação, busca tornar o conhecimento acessível de forma clara e responsável.