Tylenol na gravidez: uso seguro não aumenta risco de autismo ou TDAH

Gestantes podem usar Tylenol sem prejudicar desenvolvimento fetal. (Foto: Getty Images via Canva)
Gestantes podem usar Tylenol sem prejudicar desenvolvimento fetal. (Foto: Getty Images via Canva)

Sentir dor ou febre durante a gravidez é comum, e muitas gestantes se perguntam se tomar um analgésico simples pode prejudicar o bebê. Essa dúvida gerou preocupação nos últimos anos sobre o paracetamol, conhecido popularmente como Tylenol. 

Novas evidências científicas, no entanto, trazem tranquilidade: o medicamento não eleva o risco de autismo, TDAH ou deficiência intelectual nas crianças.

Por que o paracetamol é importante para gestantes?

O paracetamol é o medicamento de primeira linha para tratar dor e febre durante a gestação. Ele age diretamente no sistema nervoso central, reduzindo a percepção de dor e controlando a temperatura, sem afetar o estômago ou o sangue, como outros analgésicos. Isso explica por que é tão recomendado por obstetras e médicos de família para mulheres grávidas.

Evitar o tratamento adequado de dor ou febre pode ter consequências negativas tanto para a mãe quanto para o bebê. Febres altas, por exemplo, podem alterar o metabolismo fetal e causar desconforto intenso à gestante.

Evidências científicas reforçam segurança

Revisão científica confirma segurança do paracetamol na gravidez. (Foto: Getty Images via Canva)
Revisão científica confirma segurança do paracetamol na gravidez. (Foto: Getty Images via Canva)

Uma revisão abrangente publicada em 16 de janeiro de 2026 no periódico The Lancet Obstetrics, Gynaecology & Women’s Health, liderada por Francesco D’Antonio e colaboradores (DOI: 10.1016/S3050-5038(25)00211-0), analisou 43 estudos anteriores, incluindo centenas de milhares de crianças, para avaliar a segurança do paracetamol na gravidez.

Os pesquisadores usaram uma abordagem diferenciada: compararam irmãos nascidos da mesma mãe, em que uma criança foi exposta ao paracetamol durante a gestação e a outra não. Esse método ajuda a separar os efeitos da medicação de fatores genéticos e ambientais compartilhados, proporcionando resultados mais confiáveis.

Os números são expressivos: 262.852 crianças foram avaliadas para autismo, 335.255 para TDAH e 406.681 para deficiência intelectual. Nenhum aumento significativo de risco foi observado em crianças expostas ao medicamento.

Entendendo os alarmes anteriores

Estudos antigos sugeriam pequenas associações entre o uso de paracetamol e distúrbios neurológicos, mas tinham limitações importantes, como falta de dados sobre histórico familiar e genética. Agora se entende que os alertas podem ter surgido devido a fatores maternos subjacentes, como febre ou dor intensa, e não ao medicamento em si.

O que isso significa para gestantes

O paracetamol continua sendo uma opção segura para alívio de dor e febre, quando usado conforme as instruções médicas. Evitar o medicamento por medo infundado pode trazer riscos conhecidos para mãe e bebê. 

As evidências reforçam que decisões sobre medicação na gestação devem equilibrar necessidade clínica e segurança, sem criar preocupação desnecessária.

Rafaela Lucena é farmacêutica, formada pela UNIG, e divulgadora científica. Com foco em saúde e bem-estar, trabalha para levar informação confiável e acessível ao público de forma clara e responsável.