O impacto do asteroide que extinguiu os dinossauros há 66 milhões de anos não foi tão devastador para tubarões e raias como se imaginava. Um estudo recente publicado na revista Current Biology utilizou inteligência artificial (IA) avançada para analisar dados fósseis globais e descobriu que essas espécies sofreram apenas um declínio modesto de cerca de 10%, contrastando com a extinção em massa de dinossauros não-aviários e outros predadores marinhos.
A pesquisa integrou modelos de aprendizado profundo com o conjunto de fósseis mais completo já compilado para tubarões e raias, rastreando sua diversidade ao longo de 145 milhões de anos. Esses resultados fornecem um panorama detalhado da evolução desses grupos, desde o período Cretáceo até os oceanos modernos. Principais descobertas do estudo:
- Diversidade de espécies já era comparável aos níveis atuais há mais de 100 milhões de anos;
- O pico de espécies ocorreu no Eoceno Médio, cerca de 50 milhões de anos atrás, superando a diversidade atual em mais de 40%;
- O impacto do asteroide provocou apenas uma redução discreta, mostrando a resiliência evolutiva desses predadores;
- Métodos de IA corrigiram vieses espaciais e temporais no registro fóssil, revelando padrões que antes eram invisíveis.
Inteligência artificial redefine a evolução marinha
O estudo demonstrou que o registro fóssil, muitas vezes desigual e incompleto, pode ser reinterpretado com IA de ponta, permitindo compreender melhor a verdadeira trajetória evolutiva de tubarões e raias. Essa abordagem identifica quando aparentes declínios de espécies refletem lacunas na amostragem em vez de perdas reais.
Além disso, os dados colocam em contexto o atual declínio de tubarões e raias, causado por pressões humanas como sobrepesca e mudanças climáticas. A diversidade desses animais já havia diminuído gradualmente nas últimas dezenas de milhões de anos, o que significa que os tubarões modernos enfrentam desafios adicionais sobre uma base histórica reduzida.
Compreender a resiliência e vulnerabilidade histórica desses animais ajuda a orientar estratégias de conservação, destacando a necessidade de proteger as espécies restantes. A aplicação de tecnologias como IA transforma não apenas a paleontologia, mas também fornece insights valiosos para a gestão da biodiversidade marinha contemporânea.

