O Telescópio Espacial James Webb (JWST) trouxe uma visão inédita das regiões mais próximas de um buraco negro supermassivo, localizado no núcleo da galáxia Circinus, a cerca de 14 milhões de anos-luz. Pela primeira vez, cientistas conseguiram distinguir com precisão o disco de poeira e gás que alimenta o buraco negro, em contraste com estruturas expelidas ou regiões externas da galáxia. Essa descoberta representa um avanço significativo para a compreensão de como buracos negros crescem e afetam suas galáxias hospedeiras.
As imagens obtidas pelo Webb revelam que o brilho infravermelho intenso de galáxias ativas não se origina de fluxos de poeira, como se acreditava anteriormente, mas de um toroide denso de poeira em torno do buraco negro.
Principais descobertas do estudo publicado na Nature Communications (13 de janeiro de 2026, DOI: 10.1038/s41467-025-66010-5, Enrique Lopez-Rodriguez et al.):
- 87% da emissão infravermelha provém do disco interno próximo ao buraco negro;
- Menos de 1% da emissão é gerada por fluxos de poeira expulsos;
- 12% restantes vêm de poeira mais distante, aquecida pela radiação do núcleo e por pequenos jatos de rádio.
O estudo utilizou técnicas avançadas do Webb, combinando luz da galáxia por pequenas aberturas hexagonais, permitindo mapear o núcleo da galáxia com detalhes nunca antes vistos. Essa metodologia duplicou a nitidez das imagens, equivalente a um telescópio de 13 metros de diâmetro.
Estrutura do disco e seu impacto na galáxia

O toroide interno atua como a principal fonte de material que cai no buraco negro, enquanto o Arco Norte corresponde a um fluxo tênue de poeira expelida pelo núcleo. Já o disco externo é composto por poeira aquecida pela radiação do buraco negro e por pequenos jatos, localizada fora do disco principal. Essas observações desafiam modelos antigos, que associavam grande parte do infravermelho próximo a fluxos de poeira.
Agora, está claro que o disco de acreção e o toroide são os responsáveis pelo brilho intenso, oferecendo informações valiosas sobre como os buracos negros influenciam a formação de estrelas e moldam a estrutura das galáxias. Além disso, a técnica aplicada na galáxia Circinus poderá ser utilizada para estudar outros buracos negros próximos, contribuindo para a construção de uma amostra estatística capaz de relacionar a massa, os discos de acreção e os fluxos de saída com a potência do núcleo ativo.

