Astrônomos observaram recentemente um fenômeno incomum no universo profundo que pode ajudar a explicar um dos maiores mistérios da astrofísica moderna. Uma supernova extremamente luminosa, localizada a mais de um bilhão de anos-luz da Terra, apresentou um comportamento inesperado: seu brilho variava repetidamente, como se a explosão estivesse emitindo pulsos de luz no espaço.
O evento está associado à SN 2024afav, classificada como uma supernova superluminosa, categoria rara de explosões estelares capazes de liberar energia muito superior à das supernovas tradicionais. A investigação científica foi publicada na revista Nature e envolveu observações feitas por diversos telescópios ao redor do mundo. Entre os sinais que chamaram a atenção dos pesquisadores estão:
- Variações periódicas na luminosidade da explosão;
- Oscilações que aceleravam gradualmente ao longo do tempo;
- Evidências de um possível objeto extremamente energético no centro da explosão.
Esse comportamento levou os cientistas a suspeitar que um mecanismo poderoso estivesse atuando no interior da supernova.
Um dos objetos mais extremos do universo
A explicação mais provável envolve a presença de um magnetar, um tipo raro de estrela de nêutrons altamente magnetizada. Esses corpos celestes surgem quando estrelas massivas esgotam seu combustível e colapsam sob a própria gravidade.
Apesar de terem apenas cerca de 20 quilômetros de diâmetro, os magnetars podem concentrar mais massa que o Sol em um volume extremamente compacto. Além disso, possuem campos magnéticos trilhões de vezes mais intensos que o campo magnético terrestre, tornando-os alguns dos objetos mais energéticos conhecidos.
Quando recém-formado, um magnetar pode girar em velocidades impressionantes, liberando grandes quantidades de energia e potencialmente alimentando o brilho intenso de algumas supernovas.
Um disco de matéria pode explicar o fenômeno observado
Os cientistas propõem que parte do material ejetado pela explosão da estrela pode ter retornado em direção ao magnetar, formando um disco de matéria ao redor do objeto.
Esse disco, entretanto, não estaria alinhado com o eixo de rotação da estrela de nêutrons. Como consequência, ele passaria a oscilar lentamente no espaço, em um movimento chamado precessão.
Esse comportamento pode ser explicado por um efeito previsto pela Teoria da Relatividade Geral, conhecido como precessão de Lense-Thirring, no qual a rotação de um objeto extremamente massivo provoca distorções no espaço-tempo ao seu redor.
À medida que o disco oscila, ele pode interferir na energia emitida pela supernova, gerando variações periódicas no brilho observado. Com o tempo, conforme o disco se aproxima do magnetar, o movimento tende a acelerar, o que explicaria a intensificação das oscilações detectadas.
Um passo importante para entender supernovas superluminosas
As supernovas superluminosas foram identificadas apenas nas últimas décadas e continuam entre os fenômenos mais intrigantes da astronomia moderna. Embora modelos teóricos já apontassem a possibilidade de magnetars recém-formados impulsionarem essas explosões, evidências observacionais claras ainda eram limitadas.
Os dados obtidos com a SN 2024afav oferecem uma pista importante sobre o funcionamento interno dessas explosões. Compreender esse processo pode ajudar cientistas a revelar como algumas estrelas conseguem produzir as explosões mais brilhantes do universo.

