Sonda Juno detecta evento vulcânico gigantesco em lua de Júpiter

Io entra em erupção recorde com múltiplos vulcões ativos (Imagem: Getty Images/ Canva Pro)
Io entra em erupção recorde com múltiplos vulcões ativos (Imagem: Getty Images/ Canva Pro)

A lua Io, de Júpiter, protagonizou um fenômeno geológico extraordinário: uma erupção vulcânica simultânea em múltiplos vulcões, captada pela sonda Juno. Diferente de eventos isolados, este episódio cobriu cerca de 65 mil quilômetros quadrados, liberando uma quantidade de energia que supera todas as erupções já registradas no Sistema Solar.

Esse tipo de atividade confirma que Io é o corpo celeste mais vulcanicamente ativo, com constante remodelação de sua superfície por fluxos de lava, cinzas e calor extremo. Principais características do evento:

  • Energia liberada: entre 140 e 260 terawatts, recorde absoluto;
  • Brilho máximo: regiões afetadas ficaram mil vezes mais luminosas;
  • Múltiplas fontes: diversos vulcões conectados por reservatórios de magma;
  • Detecção: instrumentos infravermelhos da Juno identificaram os pontos quentes;
  • Perspectiva futura: sobrevoos adicionais prometem mapear novos fluxos e depósitos.

O motor por trás do vulcanismo extremo

Io possui aproximadamente 3.643 km de diâmetro e abriga cerca de 400 vulcões ativos, constantemente remodelando sua superfície. A causa principal é a tensão gravitacional de Júpiter, que comprime o interior da lua, gerando calor suficiente para manter seu manto parcialmente líquido.

Comparação de Io: Galileu em 1999 e Juno mostrando ponto quente em 2024 (Imagem: Universidade do Arizona / NASA / JPL-Caltech / SwRI / ASI / INAF / JIRAM)
Comparação de Io: Galileu em 1999 e Juno mostrando ponto quente em 2024 (Imagem: Universidade do Arizona / NASA / JPL-Caltech / SwRI / ASI / INAF / JIRAM)

A simultaneidade das erupções indica que vários vulcões estão conectados por uma rede de magma subterrânea, funcionando quase como um sistema interligado. Cada reservatório pode liberar energia de forma coordenada ou independente, explicando a magnitude do evento observado.

Comparação com erupções históricas

O impacto energético deste episódio foi impressionante, com até 260 terawatts liberados, mais do que o dobro da maior erupção prévia registrada em Io. Esse valor é comparável a gigantescos eventos terrestres, como a erupção do Monte Santa Helena, em 1980, que liberou cerca de 52 terawatts. 

Além disso, as regiões em erupção ficaram milhares de vezes mais brilhantes em infravermelho, revelando vastos fluxos de lava. Esse registro demonstra que erupções múltiplas podem se propagar pelo subsolo, conectando vulcões distantes e oferecendo importantes informações sobre a dinâmica interna de Io.

A missão estendida da sonda Juno permitirá novas observações detalhadas, incluindo o mapeamento de fluxos recentes de lava, a análise de depósitos de cinzas, o estudo da conectividade entre vulcões e a avaliação das mudanças na superfície entre sobrevoos. Cada nova aproximação contribuirá para compreender melhor o vulcanismo extremo e os processos geológicos fora da Terra, consolidando Io como um verdadeiro laboratório natural para estudar planetas e luas vulcanicamente ativos.

Leandro Sinis é biólogo, formado pela UFRJ, e atua como divulgador científico. Apaixonado por ciência e educação, busca tornar o conhecimento acessível de forma clara e responsável.