Solução encontrada por robôs pode ser chave no combate às superbactérias

Pesquisa revela caminho promissor contra infecções resistentes. (Foto: TrueCreatives via Canva)
Pesquisa revela caminho promissor contra infecções resistentes. (Foto: TrueCreatives via Canva)

A resistência das bactérias aos antibióticos tem avançado e preocupa sistemas de saúde no mundo todo. Bactérias que antes eram facilmente eliminadas por antibióticos estão se tornando cada vez mais difíceis de tratar, o que aumenta o risco de infecções graves. Diante desse cenário, a ciência busca novas formas de encontrar medicamentos eficazes em menos tempo.

Um estudo da Universidade de York apresenta um avanço importante nesse sentido. Os pesquisadores desenvolveram uma metodologia que combina robótica, química de clique e compostos metálicos para acelerar a identificação de possíveis novos antibióticos. 

Os resultados foram publicados na revista científica Nature Communications, no estudo intitulado “Química combinatória de alto rendimento baseada em triazol para a síntese e identificação de complexos metálicos funcionais”, assinado por David R. Husbands et al. (DOI: 10.1038/s41467-025-67341-z).

Por que buscar alternativas aos antibióticos tradicionais?

A maioria dos antibióticos atuais é formada por moléculas orgânicas simples. Com o tempo, muitas bactérias desenvolveram mecanismos para resistir a esse tipo de medicamento, tornando os tratamentos menos eficazes.

Para contornar esse problema, os cientistas passaram a investigar os complexos metálicos. Esses compostos têm uma estrutura tridimensional, diferente da maioria dos antibióticos usados hoje, o que permite atacar as bactérias de maneiras novas. Isso aumenta as chances de encontrar substâncias eficazes mesmo contra microrganismos resistentes.

Apesar da ideia comum de que compostos metálicos seriam tóxicos, pesquisas recentes indicam que muitos deles podem atuar contra bactérias sem causar danos significativos às células humanas.

Como a robótica acelerou a descoberta

Normalmente, a busca por novos antibióticos é lenta e pode levar anos. Neste estudo, os pesquisadores utilizaram robôs e química de clique baseada em triazol, uma técnica que permite unir moléculas de forma rápida e eficiente.

Com essa abordagem, foi possível:

  • combinar quase 200 tipos diferentes de moléculas
  • testar cinco metais distintos
  • sintetizar mais de 700 compostos em apenas uma semana
  • avaliar rapidamente a ação antibacteriana e a toxicidade em células humanas

Esse processo permitiu identificar, em pouco tempo, quais substâncias mereciam ser estudadas com mais profundidade.

Um candidato promissor se destacou

Irídio surge como base promissora para novos antibióticos. (Foto: Getty Images via Canva)
Irídio surge como base promissora para novos antibióticos. (Foto: Getty Images via Canva)

Entre os compostos analisados, seis apresentaram resultados positivos. Um deles chamou atenção de forma especial: um complexo metálico à base de irídio.

Esse composto demonstrou capacidade de matar bactérias em testes de laboratório, incluindo cepas semelhantes à MRSA, conhecida por sua resistência a múltiplos antibióticos. Além disso, apresentou baixa toxicidade para células humanas, indicando um bom equilíbrio entre eficácia e segurança.

É importante destacar que esse composto ainda não é um antibiótico aprovado, mas sim um candidato promissor, que precisará passar por várias etapas de pesquisa antes de qualquer uso clínico.

O que essa descoberta representa para o futuro

O principal avanço do estudo não está apenas no composto identificado, mas na forma como ele foi encontrado. A combinação de automação e química rápida permite explorar centenas de possibilidades em poucos dias, algo essencial diante da crise global de resistência bacteriana.

Essa metodologia pode acelerar a descoberta de novos medicamentos e também ser aplicada em outras áreas da ciência, como o desenvolvimento de catalisadores e materiais avançados. Em um cenário em que as bactérias evoluem rapidamente, encurtar o tempo da pesquisa pode fazer toda a diferença.

Rafaela Lucena é farmacêutica, formada pela UNIG, e divulgadora científica. Com foco em saúde e bem-estar, trabalha para levar informação confiável e acessível ao público de forma clara e responsável.