O aumento do lixo espacial na órbita da Terra representa um risco crescente para humanos e infraestrutura. Fragmentos de satélites e espaçonaves abandonados podem atingir o solo, e rastrear suas quedas é crucial para minimizar danos e exposições a substâncias potencialmente tóxicas. Pesquisadores da Universidade Johns Hopkins desenvolveram um método inovador que utiliza redes de sismógrafos, originalmente instaladas para detectar terremotos, para monitorar a trajetória desses objetos em tempo quase real.
O método oferece informações mais detalhadas e rápidas do que os sistemas atuais de rastreamento, permitindo:
- Determinar a trajetória exata de detritos após a entrada na atmosfera;
- Estimar locais de queda e possíveis áreas de risco;
- Recuperar rapidamente os fragmentos, incluindo aqueles que contenham materiais nocivos;
- Complementar dados de radar, reduzindo margens de erro de milhares de quilômetros.
Sismógrafos como ferramentas para mapear detritos espaciais
Detritos espaciais entram na atmosfera a velocidades superiores a Mach 25, produzindo estrondos sônicos e ondas de choque semelhantes aos gerados por aeronaves supersônicas. Essas ondas fazem o solo tremer e são detectadas pelos sismógrafos, permitindo aos cientistas calcular a direção e altitude do objeto, sua velocidade e fragmentação durante a reentrada e identificar diferenças entre trajetórias previstas e reais.

Estudos aplicaram essa técnica para mapear a queda do módulo orbital Shenzhou-15, demonstrando que os sismógrafos podem fornecer medições detalhadas da trajetória e velocidade, com precisão suficiente para ajustar estimativas de impacto.
Nova ferramenta sísmica complementa radar na proteção contra destroços
Além de aumentar a segurança pública, o rastreamento sísmico ajuda a monitorar partículas tóxicas e radioativas liberadas na atmosfera. Rastrear rapidamente essas partículas permite alertar autoridades e prevenir contaminações ambientais.
Esse método complementa os tradicionais dados de radar e oferece uma ferramenta adicional crucial para eventos de reentrada de grande porte, tornando mais eficaz a recuperação de fragmentos e a avaliação de riscos à população.Com o crescimento do tráfego orbital, soluções como essa são essenciais para manter a segurança e fornecer informações em tempo quase real sobre o destino de detritos espaciais. A pesquisa foi publicada na revista Science e mostra que dados sísmicos podem ser uma poderosa aliada na era do espaço congestionado.

