Semente comum na cozinha mostra efeito contra colesterol ruim e inflamação

Cominho preto pode ajudar a reduzir o colesterol ruim. (Foto: Chamille White via Canva)
Cominho preto pode ajudar a reduzir o colesterol ruim. (Foto: Chamille White via Canva)

Pequenos ajustes na alimentação podem gerar impactos relevantes na saúde ao longo do tempo. Um exemplo vem do cominho preto, uma semente usada há séculos na medicina tradicional e que agora começa a ganhar respaldo científico. Evidências recentes indicam que seu consumo regular pode contribuir para a redução do colesterol ruim, melhora do perfil lipídico e controle da inflamação.

Esses achados vêm do estudo Black Cumin Seed Powder Improves Lipid Profile and Adipogenesis Markers, publicado na revista científica Food Science & Nutrition, conduzido por Akiko Kojima-Yuasa e colaboradores. A pesquisa investigou os efeitos metabólicos do consumo diário de sementes de cominho preto em humanos e em modelos laboratoriais.

O que o estudo clínico revelou sobre colesterol e gorduras

O ensaio clínico randomizado acompanhou 42 adultos, em sua maioria entre 20 e 50 anos, durante oito semanas. Parte dos participantes consumiu diariamente 5 gramas de pó de semente de cominho preto, enquanto o restante manteve a dieta habitual.

Ao final do período, observou-se uma melhora consistente no perfil lipídico do grupo que consumiu a semente, incluindo:

  • Redução do colesterol tota
  • Diminuição do colesterol LDL, conhecido como colesterol ruim
  • Queda dos triglicerídeo
  • Aumento do colesterol HDL, considerado protetor cardiovascular

Esses resultados indicam um possível papel do cominho preto na saúde cardiovascular, especialmente como estratégia complementar à alimentação equilibrada.

Como o cominho preto pode influenciar obesidade e inflamação

Estudo analisa efeitos metabólicos do cominho preto. (Foto: Madeleine Esteinbach via Canva)
Estudo analisa efeitos metabólicos do cominho preto. (Foto: Madeleine Esteinbach via Canva)

Além dos dados em humanos, o estudo também analisou o efeito do cominho preto em laboratório. Os experimentos mostraram que compostos bioativos da semente podem retardar a formação de adipócitos, as células responsáveis pelo armazenamento de gordura.

Entre esses compostos, destaca-se a timoquinona, associada à redução do estresse oxidativo e à modulação de processos inflamatórios. Esse efeito anti-inflamatório é relevante, já que a inflamação crônica de baixo grau está diretamente ligada à obesidade, resistência à insulina e doenças cardiovasculares.

Em conjunto, esses mecanismos ajudam a explicar por que o cominho preto é visto como um alimento promissor para a saúde metabólica, embora ainda não substitua abordagens tradicionais.

Segurança e cuidados no consumo do cominho preto

Apesar dos benefícios observados, o consumo de cominho preto exige cautela em alguns casos. Há indícios de que ele possa interagir com medicamentos, especialmente aqueles usados para controle da pressão arterial, diabetes e coagulação sanguínea.

Além disso, doses elevadas ou uso inadequado de suplementos podem estar associados a efeitos adversos hepáticos ou renais, principalmente em pessoas com condições pré-existentes. Por isso, o uso contínuo deve sempre considerar orientação profissional.

Formas práticas de incluir o cominho preto na rotina

O cominho preto pode ser incorporado à alimentação de forma simples e segura. As opções mais comuns incluem:

  • Uso culinário das sementes em pães, legumes, lentilhas e arroz
  • Consumo diário de cerca de meia colher de chá das sementes
  • Suplementos em cápsulas ou óleo, geralmente entre 500 mg e 1.000 mg por dia, junto às refeições

Como qualquer alimento funcional, seus efeitos são mais eficazes quando combinados com alimentação equilibrada, atividade física, sono adequado e controle do estresse.

Um aliado complementar para a saúde metabólica

As evidências atuais sugerem que o cominho preto pode atuar como um apoio natural no controle do colesterol, da inflamação e do metabolismo. No entanto, ele não substitui tratamentos médicos nem hábitos fundamentais de saúde.

Ainda assim, incluir essa semente tradicional na rotina pode representar um pequeno passo com potencial impacto positivo para o coração, o metabolismo e o equilíbrio inflamatório do organismo.

Rafaela Lucena é farmacêutica, formada pela UNIG, e divulgadora científica. Com foco em saúde e bem-estar, trabalha para levar informação confiável e acessível ao público de forma clara e responsável.