Rover da NASA pode perder roda após danos críticos no solo marciano

Roda do Curiosity sofre danos severos após anos enfrentando o terreno marciano (Imagem: NASA /JPL-Caltech/MSSS)
Roda do Curiosity sofre danos severos após anos enfrentando o terreno marciano (Imagem: NASA /JPL-Caltech/MSSS)

Após mais de uma década explorando o Planeta Vermelho, o rover Curiosity, da NASA, começa a dar sinais claros de desgaste estrutural. As imagens mais recentes revelam danos significativos em uma de suas rodas, evidenciando o impacto acumulado de anos enfrentando o terreno hostil de Marte.

Desde seu pouso em 2012, o veículo já percorreu mais de 36 quilômetros, superando amplamente sua missão original. No entanto, essa longa jornada trouxe consequências inevitáveis para seus componentes, especialmente as delicadas rodas de alumínio. Para entender melhor o cenário atual, alguns pontos são essenciais:

  • O desgaste começou a ser notado ainda em 2013;
  • O terreno marciano possui rochas afiadas altamente abrasivas;
  • As rodas são monitoradas constantemente por imagens internas;
  • Danos recentes indicam agravamento estrutural.

Engenharia sob pressão: adaptar-se ou falhar

Diante desse cenário, a NASA já implementou estratégias para prolongar a vida útil do rover. Inicialmente, a equipe redirecionou o trajeto para áreas com terreno menos agressivo, reduzindo o contato com rochas pontiagudas.

Além disso, foi introduzido um algoritmo de controle de tração inteligente, capaz de ajustar automaticamente a velocidade das rodas. Esse sistema analisa dados em tempo real para minimizar impactos e evitar deslizamentos, reduzindo o estresse mecânico.

Selfie do Curiosity mostra perfuração em arenito no Monte Sharp, sol 1126 (Imagem: NASA)
Selfie do Curiosity mostra perfuração em arenito no Monte Sharp, sol 1126 (Imagem: NASA)

Ainda assim, o ambiente marciano continua sendo um desafio constante. Pequenas pedras, muitas vezes inevitáveis, seguem contribuindo para o desgaste progressivo.

Um plano inusitado: “cirurgia” com pedras de Marte

Se os danos atingirem um nível crítico, a solução pode parecer surpreendente: remover parte da roda danificada. Sem ferramentas convencionais, o rover precisaria utilizar o próprio ambiente ao seu redor.

A estratégia envolve manobras específicas, testadas previamente em um modelo replicado na Terra. Entre elas, destacam-se:

  • “Manobra de Torção e Grito”;
  • “Manobra de Dedo de Pombo”.

Ambas consistem em prender a roda comprometida contra rochas e aplicar força com as demais rodas até romper a estrutura danificada. O objetivo é preservar o funcionamento geral do veículo, mesmo com perda parcial do componente.

Resistência além do limite

Apesar do cenário preocupante, o Curiosity continua operando normalmente. Testes indicam que o rover pode seguir ativo mesmo com danos severos, desde que partes críticas sejam preservadas.Essa resiliência reforça não apenas a robustez da engenharia envolvida, mas também a importância da missão. Afinal, o rover segue investigando a geologia marciana e buscando pistas sobre a possibilidade de vida no passado do planeta.

Leandro C. Sinis é biólogo formado pela UFRJ e divulgador científico. Com experiência em pesquisa acadêmica, é coautor de um estudo sobre neuroproteção publicado no Journal of Biological Chemistry (DOI: 10.1074/jbc.m117.807180). Sua missão no Fala Ciência é traduzir descobertas complexas em conhecimento acessível e seguro para todos. Ver perfil no LinkedIn | Ver Currículo Lattes