Durante gerações, povos indígenas, comunidades tradicionais e agricultores familiares recorreram às plantas medicinais como parte essencial do cuidado com a saúde. Mas agora, esse saber histórico avança para um novo patamar. O Brasil está prestes a lançar o primeiro fitoterápico industrializado desenvolvido a partir do conhecimento tradicional, tendo como base a planta Phyllanthus niruri, popularmente conhecida como quebra-pedra.
A iniciativa representa um marco ao unir biodiversidade brasileira, ciência farmacêutica e saúde pública, respeitando integralmente a legislação de acesso ao conhecimento tradicional associado e a repartição de benefícios.
Da tradição à indústria farmacêutica
Historicamente utilizada para auxiliar no cuidado de distúrbios urinários, a quebra-pedra agora entra em um rigoroso processo de padronização, controle de qualidade e validação científica. O desenvolvimento do fitoterápico envolve a produção de lotes-piloto, testes laboratoriais e estudos de estabilidade, etapas essenciais para garantir segurança, eficácia e reprodutibilidade.
Esse processo é fundamental para que o medicamento possa ser submetido à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e, posteriormente, integrado ao Sistema Único de Saúde (SUS).
Articulação institucional e saúde pública
O projeto reúne instituições estratégicas para viabilizar a inovação. A cooperação entre organismos internacionais, institutos de pesquisa e órgãos ambientais fortalece o desenvolvimento tecnológico de fitoterápicos derivados da flora brasileira, ampliando as opções terapêuticas disponíveis no SUS.
Além disso, a iniciativa reforça políticas públicas voltadas à bioeconomia, ao uso sustentável da biodiversidade e à valorização de saberes tradicionais, promovendo um modelo de inovação com impacto social e ambiental positivo.
Produção sustentável e cadeia produtiva fortalecida
O investimento de R$ 2,4 milhões contempla desde a adequação de maquinário até estudos laboratoriais avançados. Mais do que um medicamento, o projeto impulsiona toda uma cadeia produtiva nacional, conectando:
- produção sustentável da matéria-prima
- desenvolvimento do insumo farmacêutico ativo
- fabricação do medicamento final
- fortalecimento da indústria pública de saúde
Esse modelo gera renda, estimula a pesquisa científica e cria precedentes para novos acordos entre o setor farmacêutico e comunidades detentoras do conhecimento tradicional.
Inovação terapêutica para distúrbios urinários
O fitoterápico à base de Phyllanthus niruri se destaca por sua proposta inovadora. Diferentemente de produtos disponíveis no mercado, ele foi desenvolvido para atuar em diferentes etapas da litíase urinária, condição marcada pela formação de cálculos no trato urinário.
Essa abordagem amplia o potencial terapêutico do medicamento e reforça a importância de integrar ciência moderna e conhecimento ancestral na busca por soluções eficazes para problemas de saúde pública.
Um novo caminho para os fitoterápicos no Brasil
Ao transformar uma planta amplamente utilizada na medicina tradicional em um medicamento regulado e acessível pelo SUS, o Brasil inaugura uma nova fase na política nacional de plantas medicinais e fitoterápicos.
O projeto estabelece bases sólidas para futuras inovações que respeitem territórios, culturas e a biodiversidade, ao mesmo tempo em que ampliam o acesso da população a tratamentos seguros e eficazes.

