A possibilidade de quebra de patente de medicamentos inovadores voltou ao centro do debate nacional após a Câmara dos Deputados incluir na pauta a análise de um projeto que declara de interesse público os fármacos Mounjaro e Zepbound. Ambos têm como princípio ativo a tirzepatida, substância que revolucionou o tratamento do diabetes tipo 2 e ganhou destaque pelo efeito significativo na redução de peso corporal.
A medida, caso avance, pode abrir caminho para a produção de versões alternativas, reduzindo custos e ampliando o acesso a terapias que hoje permanecem restritas a uma parcela pequena da população.
Por que Mounjaro e Zepbound entraram no radar legislativo?
O alto custo das terapias à base de agonistas de GLP-1 e GIP, como a tirzepatida, é apontado como um dos principais entraves à incorporação em larga escala no sistema de saúde. Mesmo com eficácia comprovada no controle glicêmico e na obesidade, esses medicamentos permanecem fora do alcance da maioria dos pacientes.
Além disso, a obesidade e o diabetes avançam de forma acelerada no país, pressionando o sistema público de saúde. Nesse contexto, o argumento central do projeto é que intervenções farmacológicas eficazes não podem permanecer inacessíveis quando tratam condições de alto impacto populacional.
O que significa declarar um medicamento de interesse público?
Na prática, a declaração de interesse público permite a adoção de mecanismos legais para flexibilizar direitos de exclusividade, incluindo a quebra de patente em situações excepcionais. Essa estratégia já foi utilizada anteriormente em cenários envolvendo doenças de grande relevância sanitária.
O objetivo não é eliminar a inovação, mas equilibrar o direito à propriedade intelectual com a necessidade coletiva de acesso à saúde. Em especial, quando o custo do tratamento se torna incompatível com políticas de saúde pública de larga escala.
Diferença regulatória entre Mounjaro e Zepbound
No Brasil, o Mounjaro já possui aprovação da autoridade sanitária para o tratamento do diabetes tipo 2, com ampliação recente de uso para obesidade associada a comorbidades. Já o Zepbound, embora contenha o mesmo princípio ativo, ainda não tem autorização comercial e não está disponível oficialmente no mercado nacional.
Essa distinção é relevante porque a eventual quebra de patente pode impactar trajetórias regulatórias, políticas de preços e estratégias de incorporação terapêutica de forma diferente para cada medicamento.
Impactos potenciais para pacientes e sistema de saúde
Caso o projeto avance, os principais efeitos esperados incluem:
- Redução significativa de preços
- Ampliação do acesso a tratamentos metabólicos modernos
- Maior pressão por protocolos clínicos bem definidos
- Necessidade de vigilância rigorosa sobre uso e segurança
Vale ressaltar que medicamentos como a tirzepatida exigem acompanhamento médico contínuo, devido a possíveis efeitos adversos gastrointestinais, metabólicos e pancreáticos, já descritos na literatura regulatória.
Inovação e acesso responsável
A discussão sobre a quebra de patente do Mounjaro e do Zepbound vai além do campo jurídico. Ela toca em um ponto central da medicina contemporânea: como transformar inovação científica em benefício coletivo sem comprometer a segurança e a sustentabilidade do sistema de saúde.
Independentemente do desfecho legislativo, o debate reforça a necessidade de prescrição responsável, políticas públicas baseadas em evidências e regulação sanitária robusta, especialmente diante do crescimento do uso de medicamentos voltados ao emagrecimento.

