Há 407 milhões de anos, longos antes do surgimento das grandes florestas que conhecemos, a Terra era ocupada por organismos igualmente impressionantes, mas completamente desconhecidos da vida moderna. Entre eles, os Prototaxites se destacavam como os maiores seres do período Devoniano, atingindo alturas que superavam qualquer planta da época. No entanto, apesar de sua imponência, esses organismos desapareceram sem deixar descendentes vivos, tornando-se um verdadeiro mistério paleontológico.
Recém-publicado na Science Advances, um estudo detalha como pequenas amostras de Prototaxites taiti, preservadas no sílex de Rhynie, um dos mais antigos ecossistemas fossilizados do mundo, forneceram pistas sobre sua biologia única e evolutivamente isolada. Principais descobertas sobre os Prototaxites:
- Não apresentam os polímeros típicos de fungos, como quitina ou beta-glucano;
- Biomarcadores fúngicos, como perileno, estavam ausentes em todas as amostras estudadas;
- Sua estrutura celular sugere um modo de construção totalmente diferente de plantas, fungos ou animais;
- Apesar de variáveis em tamanho, todos os Prototaxites pertencem ao mesmo gênero e compartilhavam características fundamentais.
Por que Prototaxites não se encaixam na vida moderna?

Durante décadas, os Prototaxites foram considerados enormes cogumelos pré-históricos, principalmente devido ao seu tamanho colossal. No entanto, a análise de fósseis microscópicos mostrou que sua anatomia e composição química não correspondem a nenhuma linhagem conhecida atualmente. Esses organismos representam, portanto, um ramo evolutivo extinto, que dominou a paisagem terrestre antes do surgimento das grandes plantas do Carbonífero.
O sílex de Rhynie, onde os fósseis foram encontrados, preserva detalhes moleculares e estruturais tão precisos que permitiram a aplicação de técnicas avançadas, incluindo aprendizado de máquina em dados moleculares fósseis, para entender melhor como essas criaturas se organizavam.
Apesar de sua extinção, os Prototaxites fornecem uma janela única para compreender os ecossistemas primitivos, mostrando que a vida terrestre evoluiu de formas muito mais diversificadas e enigmáticas do que imaginávamos. A perda desses gigantes provavelmente foi causada por mudanças ambientais drásticas ou pela competição com plantas emergentes, mas o mistério sobre sua total extinção ainda persiste.

