Pouca gente sabe, mas essa planta ajuda a proteger o fígado

Cardo-mariano ajuda a proteger as células do fígado. (Foto: Pixabay via Gemini)
Cardo-mariano ajuda a proteger as células do fígado. (Foto: Pixabay via Gemini)

Em meio ao aumento de doenças hepáticas relacionadas ao estilo de vida, uma planta antiga voltou ao centro das atenções: o cardo-mariano. Utilizado há séculos na medicina tradicional, ele passou a ser amplamente estudado por conter a silimarina, um complexo de compostos com ação direta na proteção das células do fígado.

Hoje, o interesse científico não está apenas na tradição, mas na evidência de seus efeitos biológicos, especialmente em contextos de sobrecarga hepática.

O fígado e o impacto dos hábitos modernos

O fígado é responsável por funções vitais, como a desintoxicação do organismo, produção de bile e regulação de nutrientes. No entanto, a rotina atual pode comprometer esse equilíbrio.

Entre os principais fatores que afetam a saúde hepática estão:

  • alimentação rica em ultraprocessados
  • consumo frequente de álcool
  • uso contínuo de medicamentos
  • sedentarismo e estresse

Esse cenário favorece o desenvolvimento de condições como esteatose hepática, inflamação crônica, fibrose e cirrose.

Silimarina: como esse composto age no fígado

Silimarina tem ação antioxidante e hepatoprotetora. (Foto: Getty Images via Canva)
Silimarina tem ação antioxidante e hepatoprotetora. (Foto: Getty Images via Canva)

A silimarina é o principal ativo do cardo-mariano e atua em múltiplos mecanismos que ajudam a preservar o fígado.

Seus efeitos vão além do básico:

  • Neutraliza radicais livres, reduzindo o estresse oxidativo
  • Diminui inflamação, protegendo o tecido hepático
  • Estabiliza as células do fígado, dificultando a entrada de toxinas
  • Estimula regeneração celular, favorecendo a recuperação do órgão
  • Modula enzimas hepáticas, envolvidas no metabolismo e nos danos celulares

Esse conjunto de ações explica por que a substância é considerada uma das mais promissoras na área.

O que mostram os estudos clínicos

A literatura científica já traz resultados relevantes sobre o tema. Uma revisão publicada na revista Advances in Therapy demonstrou que a silimarina está associada à redução de mortalidade em pacientes com doenças hepáticas, especialmente em casos mais avançados.

Além disso, os estudos apontam:

  • melhora no funcionamento do fígado após lesões causadas por medicamentos
  • benefícios metabólicos, incluindo melhor controle glicêmico
  • potencial apoio em quadros de inflamação hepática

Esses dados reforçam o papel da silimarina como suporte terapêutico complementar.

Benefícios adicionais pouco comentados

Além da proteção direta ao fígado, pesquisas sugerem que a silimarina pode trazer outros efeitos positivos:

  • Apoio ao controle da glicemia, especialmente em pessoas com resistência à insulina
  • Proteção contra toxinas ambientais, como poluentes e substâncias químicas
  • Ação antioxidante sistêmica, beneficiando outros órgãos

Esses efeitos ampliam o interesse pelo composto, indo além da saúde hepática.

Como usar o cardo-mariano na prática

O consumo pode ser adaptado à rotina, considerando as diferentes formas disponíveis:

  • Chá das sementes: opção natural, mas com menor concentração de silimarina
  • Cápsulas ou extratos padronizados: oferecem maior eficácia e controle de dose
  • Tintura líquida: alternativa prática com absorção eficiente

Nos estudos, a dose mais utilizada varia entre 420 mg e 600 mg por dia, dividida em três doses ao longo do dia para melhor aproveitamento.

Cuidados importantes antes de consumir

Apesar de ser considerado seguro, o uso do cardo-mariano exige atenção em alguns casos:

  • gestantes e lactantes devem evitar sem orientação
  • pessoas com problemas na vesícula biliar precisam de avaliação médica
  • pode haver interação com medicamentos metabolizados pelo fígado

Por isso, o acompanhamento profissional é recomendado, principalmente em uso contínuo.

O que potencializa os efeitos no fígado

Para obter melhores resultados, o uso da silimarina deve estar associado a hábitos saudáveis:

  • priorizar alimentos naturais
  • reduzir consumo de álcool
  • manter atividade física regular
  • evitar excesso de açúcar e gordura

Essas práticas reduzem a sobrecarga hepática e potencializam os efeitos protetores.

Portanto, o cardo-mariano se destaca como uma das plantas medicinais com maior respaldo científico para a saúde do fígado. A silimarina, seu principal composto, atua em múltiplos mecanismos que ajudam a proteger, regenerar e preservar a função hepática.

Embora não substitua tratamentos médicos, seu uso consciente pode ser um aliado importante dentro de uma estratégia mais ampla de cuidado com a saúde.

Rafaela Lucena é farmacêutica (CRF-RJ:13912) graduada pela UNIG. Une sua formação em saúde à paixão pela divulgação científica para traduzir estudos clínicos e farmacológicos para o cotidiano. Como responsável técnica pelo Fala Ciência, dedica-se a combater a desinformação com rigor técnico e embasamento científico de qualidade. Ver perfil no LinkedIn