Poluição por microplásticos favorece crescimento descontrolado de algas tóxicas

Plásticos fósseis aumentam algas tóxicas e ameaçam ecossistemas aquáticos (Imagem: Getty Images via Canva)
Plásticos fósseis aumentam algas tóxicas e ameaçam ecossistemas aquáticos (Imagem: Getty Images via Canva)

Um novo estudo da Universidade da Califórnia em San Diego revelou que a poluição por plásticos derivados de combustíveis fósseis pode intensificar a proliferação de algas nocivas e comprometer a saúde de ecossistemas aquáticos. Diferentemente dos plásticos de base biológica, os polímeros fósseis mostraram causar impactos significativos sobre animais que controlam naturalmente a quantidade de algas, como o zooplâncton, criando condições tóxicas e aumentando o risco de marés vermelhas.

Nos experimentos, os pesquisadores compararam os efeitos de plásticos tradicionais e biodegradáveis em 30 ecossistemas experimentais de lagoas, observando alterações na dinâmica de organismos e comunidades microbianas. Entre os efeitos principais estavam:

  • Redução acentuada do zooplâncton, essencial para controlar o crescimento de algas;
  • Aumento rápido de concentração de algas, levando à formação de zonas com baixo oxigênio;
  • Alterações na composição bacteriana, com surgimento de comunidades distintas em presença de microplásticos fósseis.

Como os microplásticos afetam a saúde dos ecossistemas?

A poluição plástica foi registrada em todos os ambientes, desde o fundo do oceano até o gelo do Ártico, e já está presente em sangue humano e órgãos vitais, reforçando a urgência de soluções sustentáveis. O estudo destacou que os plásticos derivados de combustíveis fósseis têm efeitos de cima para baixo, eliminando predadores naturais das algas, enquanto os bioplásticos apresentaram impacto mínimo sobre os organismos aquáticos.

Além disso, o excesso de nutrientes provenientes de atividades humanas, como escoamento agrícola e descarte de resíduos, combinado com microplásticos, intensifica rapidamente a proliferação de algas nocivas, prejudicando a biodiversidade e aumentando riscos à saúde pública.

Bioplásticos como alternativa sustentável

Os pesquisadores destacam que a transição para plásticos biodegradáveis e de base biológica pode ajudar a mitigar os impactos ambientais dos microplásticos fósseis. Novos materiais, desenvolvidos em laboratórios e em parceria com empresas derivadas da UC San Diego, apresentam degradação ambiental mais rápida, redução dos efeitos sobre o zooplâncton e algas e menor alteração na comunidade microbiana

Entre as soluções inovadoras estão os chamados “plásticos vivos”, que incorporam esporos bacterianos capazes de decompor o material ao final de seu ciclo de vida, oferecendo alternativas promissoras para produtos do dia a dia. O estudo, publicado na revista Communications Sustainability por Scott G. Morton e colaboradores, reforça que os microplásticos fósseis podem desestabilizar ecossistemas aquáticos, enquanto a adoção de bioplásticos sustentáveis surge como uma estratégia viável para proteger a água, a biodiversidade e a saúde humana.

Leandro Sinis é biólogo, formado pela UFRJ, e atua como divulgador científico. Apaixonado por ciência e educação, busca tornar o conhecimento acessível de forma clara e responsável.