Poluição atmosférica faz formigas atacarem colegas de própria colônia inesperadamente

Poluição altera cheiro das formigas e provoca ataques na colônia (Imagem: Chirita's Images via Canva)
Poluição altera cheiro das formigas e provoca ataques na colônia (Imagem: Chirita's Images via Canva)

Enquanto os poluentes atmosféricos são conhecidos por prejudicar a saúde humana, estudos recentes revelam que eles também interferem diretamente no comportamento social dos animais, incluindo insetos essenciais para a manutenção dos ecossistemas. Pesquisadores do Instituto Max Planck de Ecologia Química demonstraram que ozônio e óxido nítrico podem alterar o odor químico das formigas, levando-as a atacar indivíduos de sua própria colônia como se fossem intrusos.

Essa descoberta ajuda a explicar, em parte, o declínio global das populações de formigas, destacando como fatores ambientais gerados pela atividade humana têm consequências ecológicas profundas. Como a poluição altera a vida das formigas

  • Reconhecimento químico: Formigas identificam colegas por sinais químicos produzidos em glândulas, compostos principalmente por alcanos e pequenas quantidades de alcenos;
  • Oxidação de alcenos: Poluentes atmosféricos reagem com alcenos, modificando o odor natural;
  • Reação da colônia: Indivíduos “alterados” são mordidos, expulsos ou mortos pelas companheiras.

Mesmo mudanças mínimas nos alcenos, que representam apenas 2% a 5% da mistura química total, foram suficientes para desencadear ataques. Além disso, a orientação por trilhas químicas e a comunicação com larvas foram comprometidas, prejudicando a sobrevivência e coesão da colônia.

Impactos ecológicos e sociais nas colônias

A poluição provoca a perda de coesão social nas colônias de formigas, reduzindo a cooperação entre os indivíduos. Além disso, o cuidado com os filhotes é prejudicado, pois as formigas passam a não reconhecer corretamente suas larvas. Como consequência, funções ecológicas essenciais, como a dispersão de sementes, a manutenção do solo e o controle de pragas, também são afetadas.

A mortalidade aumenta, já que os indivíduos atacados podem morrer, desequilibrando ainda mais a colônia. O estudo demonstra que mesmo pequenos poluentes ambientais podem gerar consequências inesperadas e graves no comportamento de espécies sociais. 

Essa interação entre a atividade humana, a poluição e o declínio de insetos evidencia que os impactos ambientais vão muito além do óbvio, afetando organismos que sustentam a saúde dos ecossistemas e, indiretamente, a sobrevivência humana. Compreender como a poluição altera o comportamento químico das formigas é, portanto, crucial para desenvolver estratégias de conservação ambiental e reduzir os efeitos dos poluentes sobre esses insetos vitais.

Leandro Sinis é biólogo, formado pela UFRJ, e atua como divulgador científico. Apaixonado por ciência e educação, busca tornar o conhecimento acessível de forma clara e responsável.