O universo pode estar repleto de planetas rochosos como a Terra, segundo uma pesquisa publicada na revista Science Advances. Diferente da ideia de que planetas sólidos são raros, o estudo indica que supernovas próximas podem ter fornecido os elementos necessários para a formação de mundos secos e habitáveis durante o nascimento do Sistema Solar. Essa descoberta amplia a visão sobre como planetas sólidos podem surgir em toda a Via Láctea.
Os pesquisadores propuseram o mecanismo de imersão, detalhando como uma supernova a cerca de 3,2 anos-luz de distância poderia enriquecer o disco protoplanetário sem destruí-lo. A explosão aceleraria partículas, especialmente prótons, transformando-os em raios cósmicos capazes de gerar elementos radioativos essenciais à formação planetária. Entre os processos identificados:
- Injeção direta de radionuclídeos, como ferro-60, no disco de poeira;
- Produção de novos elementos radioativos, incluindo alumínio-26, por colisão de raios cósmicos com partículas estáveis.
Esses materiais forneceram calor suficiente para secar planetesimais, blocos iniciais de planetas feitos de rocha e gelo, formando assim planetas sólidos, pobres em água e semelhantes à Terra.
Radiação e habitabilidade planetária

O estudo destaca a importância das radiações de vida curta (SLRs) na regulação da quantidade de água nos planetas. Segundo o modelo, aproximadamente 10% a 50% das estrelas similares ao Sol podem ter tido discos formadores de planetas com níveis de SLR comparáveis aos do Sistema Solar. Isso sugere que a formação de planetas rochosos com potencial de habitabilidade não é um evento isolado, mas possivelmente comum no cosmos.
Além disso, mesmo uma supernova a distância segura poderia fornecer energia suficiente para gerar os elementos necessários, provando que a criação de mundos sólidos não depende de condições extremas ou destrutivas.
Implicações para a busca por vida extraterrestre
Essas descobertas mudam a forma como cientistas pensam sobre habitabilidade galáctica. Se planetas secos e rochosos são comuns, a chance de encontrar mundos com condições semelhantes à Terra aumenta consideravelmente. Entender como explosões estelares influenciam a formação planetária pode guiar futuras missões de exploração e direcionar a busca por vida fora do Sistema Solar.
O estudo liderado por Ryo Sawada, da Universidade de Tóquio, conecta astrofísica, astrobiologia e formação planetária, reforçando a ideia de que o cosmos pode estar repleto de mundos potencialmente habitáveis, muito além do que se imaginava.

