Planeta do tamanho de Saturno é encontrado vagando sozinho no espaço

Planeta errante é confirmado vagando sozinho pela Via Láctea (Imagem: Fala Ciência via Gemini)
Planeta errante é confirmado vagando sozinho pela Via Láctea (Imagem: Fala Ciência via Gemini)

Astrônomos confirmaram um planeta errante localizado a cerca de 10 mil anos-luz da Terra, marcando um avanço histórico na exploração espacial. Diferente da maioria dos planetas, este mundo não orbita uma estrela, tornando-se um corpo celeste solitário na Via Láctea. Além de sua posição inédita, os cientistas conseguiram medir com precisão tanto sua massa quanto sua distância, algo nunca feito antes em objetos desse tipo.

Este exoplaneta, com tamanho próximo ao de Saturno, representa uma oportunidade única para entender os planetas que vagam pelo espaço, cuja formação e quantidade ainda são pouco conhecidas. A descoberta, publicada na revista Science em 1º de janeiro, traz à tona métodos avançados de observação e análise astronômica.

Como a descoberta foi possível?

A detecção desse planeta se deve a uma técnica chamada microlente gravitacional, que utiliza o efeito de lente criado pelo campo gravitacional do planeta ao passar à frente de uma estrela distante. Isso gera um aumento temporário do brilho da estrela, permitindo inferir a presença do planeta. Pontos-chave do método utilizado:

  • Observações simultâneas da Terra e do espaço, incluindo dados do telescópio Gaia;
  • Triangulação da posição do planeta a partir de múltiplos pontos de observação;
  • Estimativa de massa e distância baseada no tempo de distorção da luz da estrela;
  • Designações do evento astronômico: KMT-2024-BLG-0792 e OGLE-2024-BLG-0516.

Planetas errantes podem ser comuns

Astrônomos identificam planeta sem estrela a 10 mil anos-luz (Imagem: Getty Images/ Canva Pro)
Astrônomos identificam planeta sem estrela a 10 mil anos-luz (Imagem: Getty Images/ Canva Pro)

Estudos sugerem que muitos planetas solitários se formam quando interações caóticas em sistemas planetários jovens expulsam corpos de suas órbitas originais. Além disso, passagens próximas de estrelas podem desestabilizar sistemas, lançando planetas no espaço interestelar. Há ainda a possibilidade de formação isolada a partir de nuvens de gás e poeira, sem ligação a estrelas.

O futuro da pesquisa de planetas errantes é promissor. Telescópios como o Nancy Grace Roman Space Telescope, da NASA, previsto para 2026, e o satélite chinês Earth 2.0, planejado para 2028, devem ampliar significativamente a detecção desses mundos.

Assim, cientistas esperam confirmar se esses planetas solitários são mais numerosos do que as próprias estrelas na Via Láctea. A descoberta reforça a ideia de que o universo pode ser ainda mais diversificado do que se imaginava, abrindo novas fronteiras para o estudo de exoplanetas solitários e sua dinâmica no cosmos.

Leandro Sinis é biólogo, formado pela UFRJ, e atua como divulgador científico. Apaixonado por ciência e educação, busca tornar o conhecimento acessível de forma clara e responsável.