Nem toda transformação após o nascimento de um bebê está ligada apenas à adaptação emocional. Em alguns casos, mulheres desenvolvem sintomas intensos de confusão mental, delírios ou euforia extrema, sinais de uma condição ainda pouco reconhecida: a psicose pós-parto.
Por isso, pesquisadores internacionais defendem que esse transtorno seja reclassificado como uma doença mental própria, e não apenas uma variação de outros distúrbios, como a bipolaridade.
A proposta foi publicada na revista científica Biological Psychiatry e busca mudar a forma como a medicina enxerga e trata a saúde mental das mulheres no pós-parto. O objetivo é garantir diagnósticos mais rápidos, tratamentos personalizados e reduzir o número de casos graves que ainda passam despercebidos.
Um transtorno raro, mas com alto risco
A psicose pós-parto é uma condição psiquiátrica grave que afeta cerca de 2,6 em cada mil mulheres após o nascimento do bebê. Diferente da depressão pós-parto, o quadro pode surgir de forma súbita, geralmente nas primeiras semanas, e causar mudanças drásticas de humor, perda de contato com a realidade e comportamentos impulsivos.
Sem tratamento imediato, há risco de suicídio materno e até violência involuntária contra o recém-nascido, o que torna o diagnóstico precoce uma prioridade médica.
Por que reclassificar a psicose pós-parto

Atualmente, os principais manuais médicos, o DSM-5 e a Classificação Internacional de Doenças (CID), não reconhecem a psicose pós-parto como um transtorno independente. Ela aparece apenas como uma manifestação do “início periparto”, uma definição genérica que, segundo especialistas, não reflete as particularidades clínicas do problema.
Com a nova proposta, os pesquisadores sugerem critérios diagnósticos específicos, incluindo:
- Delírios e alucinações após o parto;
- Episódios de euforia intensa ou depressão profunda;
- Confusão mental e prejuízo do pensamento lógico.
Essa atualização ajudaria médicos a identificar o distúrbio com maior precisão e oferecer tratamentos direcionados, o que inclui abordagens medicamentosas mais seguras e acompanhamento especializado para a mãe e o bebê.
Avanço na saúde mental feminina
Além de redefinir o diagnóstico, a reclassificação busca estimular novas pesquisas sobre as causas biológicas e hormonais do transtorno. Com isso, espera-se ampliar o entendimento sobre como o corpo e o cérebro feminino reagem após o parto e como prevenir o surgimento da psicose.
Reconhecer a psicose pós-parto como uma doença mental distinta é um passo essencial para proteger a saúde mental materna e garantir que nenhuma mulher enfrente esse quadro sem o suporte necessário.

