Frutas e vegetais são amplamente reconhecidos como pilares de uma alimentação saudável, ricos em vitaminas, fibras e compostos bioativos. No entanto, novas evidências científicas indicam que algumas dessas escolhas também podem contribuir para maior exposição a pesticidas presentes nos alimentos.
Um estudo recente publicado na revista científica International Journal of Hygiene and Environmental Health investigou a relação entre o consumo de determinados produtos agrícolas e a presença de biomarcadores de pesticidas no organismo. A pesquisa, intitulada “A cumulative dietary pesticide exposure score based on produce consumption is associated with urinary pesticide biomarkers in a U.S. biomonitoring cohort”, foi liderada por Alexis M. Temkin e publicada em 2025 (DOI: 10.1016/j.ijheh.2025.114654).
Os resultados sugerem que o tipo de frutas e vegetais consumidos pode influenciar diretamente os níveis de pesticidas detectados no corpo humano.
Como os cientistas analisaram a exposição alimentar
Para investigar essa relação, os pesquisadores combinaram diferentes bancos de dados nacionais dos Estados Unidos. Entre eles estavam registros de resíduos de pesticidas em alimentos coletados pelo Departamento de Agricultura dos EUA e dados de consumo alimentar e biomonitoramento provenientes da pesquisa nacional de saúde NHANES.
A análise incluiu 1.837 participantes, cujas amostras de urina foram examinadas em busca de biomarcadores relacionados a pesticidas.
Com base nessas informações, os cientistas desenvolveram um índice de exposição alimentar a pesticidas, que considerava diversos fatores, como:
• tipo de fruta ou vegetal consumido
• frequência de consumo desses alimentos
• níveis de resíduos detectados nos produtos
• toxicidade relativa das substâncias químicas encontradas
Em seguida, esse índice foi comparado com 15 biomarcadores de pesticidas detectados na urina dos participantes.
Alimentos com mais resíduos podem elevar exposição
Os resultados indicaram uma associação consistente entre o consumo de produtos com maior presença de resíduos agrícolas e níveis mais elevados de pesticidas detectados no organismo.
Entre os alimentos frequentemente relacionados a maiores resíduos estavam:
• morangos
• espinafre
• pimentões
Participantes que consumiam com maior frequência esses produtos apresentaram concentrações mais elevadas de pesticidas na urina, quando comparados a indivíduos que priorizavam alimentos com menor presença de resíduos.
Esses achados reforçam a ideia de que a alimentação pode ser uma via importante de exposição a pesticidas, especialmente em dietas ricas em determinados produtos agrícolas.
A exposição envolve diferentes tipos de pesticidas
Outro ponto relevante identificado no estudo foi que a exposição alimentar não envolve apenas um único composto químico.
As análises revelaram a presença de misturas complexas de pesticidas, incluindo três categorias principais:
• organofosforados
• piretroides
• neonicotinoides
No total, testes realizados em produtos agrícolas detectaram resíduos mensuráveis de 178 pesticidas diferentes. No entanto, apenas uma parte dessas substâncias é atualmente monitorada por biomarcadores em exames humanos.
Esse resultado sugere que a exposição total pode ser ainda maior do que a detectada nos sistemas atuais de monitoramento.
Diferenças no consumo também influenciam os resultados
Os pesquisadores também observaram que alguns alimentos podem dificultar a estimativa precisa da exposição.
As batatas, por exemplo, apresentaram grande variação nos resultados. Isso ocorre porque o alimento é consumido de diversas formas, como assado, cozido ou processado, o que pode alterar o nível de resíduos detectados.
Por esse motivo, compreender totalmente a relação entre consumo alimentar e exposição a pesticidas ainda exige investigações adicionais.
O que os consumidores podem considerar
Apesar das descobertas, especialistas reforçam que frutas e vegetais continuam sendo essenciais para uma dieta equilibrada. O consumo desses alimentos está associado a inúmeros benefícios à saúde, incluindo menor risco de doenças crônicas.
No entanto, algumas estratégias podem ajudar a reduzir a exposição a pesticidas:
• lavar bem frutas e vegetais antes do consumo
• variar os tipos de alimentos consumidos
• optar por produtos orgânicos quando possível
• descascar alimentos com maior probabilidade de resíduos
Estudos indicam que substituir produtos convencionais por versões orgânicas pode reduzir significativamente biomarcadores de pesticidas no organismo em poucos dias.
As descobertas publicadas na revista International Journal of Hygiene and Environmental Health reforçam que as escolhas alimentares podem influenciar os níveis de pesticidas detectados no corpo humano.
Embora frutas e vegetais sejam fundamentais para a saúde, compreender melhor a presença de resíduos químicos nesses alimentos pode ajudar consumidores e autoridades a desenvolver estratégias mais eficazes de segurança alimentar e proteção da saúde pública.

